Adolf Hitler, em traje de gala, passa em revista a guarda de honra, em Berlim, Alemanha. [FSP-Mais!-21.07.96]

O documentário Arquitetura da Destruição, de Peter Cohen, é uma aula sobre condicionamento mental e lavagem cerebral. Cohen detalha como a ideologia nazista foi propagada na Alemanha através de filmes, exposições e outras manifestações artísticas e culturais. Hitler, às vezes sutil e às vezes direto, vai aos poucos preparando a mente do povo alemão. Os alemães são apresentados como deuses, e os judeus são apresentados como ratos.

A ideia é que, não sendo homens (mas parasitas) não existe problema em matar judeus, da mesma forma que não existe problema em matar ratos ou insetos. Por outro lado, a superioridade ariana é enaltecida. Não existem povos superiores ao povo alemão, e somente ele deve prevalecer. Tal é a ideologia fundamental da Alemanha Nazista, conforme apresentada por Peter Cohen de forma argumentativa e coerente.

O ódio transparece nos filmes produzidos pelo “Terceiro Reich”. Os judeus praticamente são responsabilizados pelos males que assolam as cidades europeias, ao mesmo tempo que a beleza do povo alemão é exaltada. Hitler vai aos poucos se apresentando como uma espécie de Deus, e suas declarações têm um sentido divino, ou seja, inquestionável (não muito diferente dos líderes religiosos que assolam o Brasil).

Em uma famosa cena do filme Bastardos Inglórios, o personagem Hans Landa, oficial da SS, explica para um fazendeiro que escondia uma família de judeus: “você se importaria se um rato passasse por baixo de sua porta? Ficaria com raiva?” Essa comparação de judeus com ratos nasceu dos filmes produzidos pela Alemanha nazista com esse objetivo. Esses filmes também aparecem no documentário, e a forma direta das comparações não deixam dúvidas quanto às intenções genocidas de Hitler.

Paralelamente, a eutanásia em bebês alemães nascidos com deformidades se inicia. Existe uma semelhança com Esparta, e o próprio Hitler afirma isso. Somente a perfeição deve prevalecer. Soldados alemães com sequelas irreversíveis são sutilmente “eliminados”. Tudo isso é justificado com muita desinformação e os soldados feridos “morriam” nos hospitais de forma misteriosa.

No julgamento de jerusalém, que condenou à morte o carrasco nazista Adolf Eichmann após a derrota alemã, a filósofa Hannah Arendt ficou perplexa com as alegações de Eichmann de que “apenas estava seguindo ordens”, não demonstrando remorso algum em ter matado milhares de pessoas. Para Arendt, ele era um homem mediano que achava normal o que fazia, e a forma banal como ele encarava seu “trabalho” era reflexo da ideologia nazista. Nascia o famoso conceito de “mal banal” , pois Arendt não retratou Eichmann como um monstro, como todos esperavam, mas como um homem normal e medíocre capaz de fazer um grande mal como se fosse algo corriqueiro. Essa mentalidade de Eichmann é fruto da lavagem cerebral midiática da Alemanha nazista, exposta nesse documentário.

 

 

Autor: Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Pensar Contemporâneo
Um espaço destinado a registrar e difundir o pensar dos nossos dias.