Márcia Tosin

As crianças de 0 a 6 anos ainda não desenvolveram totalmente o lóbulo pré-frontal (região do cérebro responsável por regular as emoções). Ainda que o seu pequeno queira, ele não consegue de forma imediata regular os vulcões emocionais. Em neurociência isso se chama “sequestro amigdaliano”.
Se você souber que para a criança é biologicamente impossível regular as fortes emoções, você deixará de pensar que ela “está te enfrentando” e entenderá que ela precisa da sua ajuda.
Devo ceder? Claro que Não. Nem deveria ser essa a sua questão. Mas é incrível como os pais se preocupam com essa questão de “ganhar” e de “quem manda sou eu”. Nessa hora, a região do cérebro da racionalidade está temporariamente adormecida. Ajude, acalme, afinal não é um inimigo a ser abatido! É só a tua cria! Resgate a amígdala.
Devo corrigir? É importante conter a birra. As emoções não se corrigem, são saudáveis e naturais, mas contemos com respeito pela criança, amor e gentileza.
1. Não bata, não grite, não insulte, não ignore;
2. Se necessário, abrace a criança pelas costas, evitando que ela machuque alguém ou seja ferida, enquanto explicamos que a amamos, mas não permitiremos que ela machuque ninguém;
3. Abaixamos-nos, dizemos que entendemos o que ela está sentindo, que é normal sentir aquilo e se ela precisar de um tempo sozinha, nós deixamos também.
4. Ofereça a calma, não se una ao caos.
5. Você não está resolvendo um problema, você está criando um ser humano.

EDITANDO – esse post já passou de 90 mil compartilhamentos e aonde ele cai acontece pelo menos um “eu não aceito”. Então vamos lá.

1. HIPÓTESE AUTOREGULAÇÃO

As crianças pequenas não têm vias neurais para acalmar os seus sentimentos agressivos. Quando ficamos calmos perante as suas perturbações, eles também se acalmam, e os seus corpos aprendem com essa experiência como acalmar as suas emoções. É assim que eles criam “fio a fio” as ligações neurais para autorregulação.
O seu filho precisa de você para essa situação, porque ele não consegue! Se você conseguir manter a calma, vai ajudá-lo a moldar seu cérebro para o resto da vida. Se ele puder regular as suas emoções, ele poderá regular o seu comportamento.

2. HIPÓTESE PEQUENOS TIRANOS

Crianças têm poderes maquiavélicos. Com seus pequenos corpinhos que mais se parecem mini-adultos tentam lançar esses poderes contra seus pais. Devem ser dominados, do contrário, na adolescência serão assassinos, dependentes químicos, mimados ou depressivos.

Um desses meios é o “poooder da birra”. Dono de uma desenvolvida estrutura, é capaz de manipular, “dar na cara dos pais”, chutar e o pior de todos: Fazer os pais se sentirem os piores educadores do mundo quando este RECURSO se manifesta em público. “Como assim?” dizem os pais. “Eu vou te dominar!” “Eu vou te dar limites!” Mal sabe esse pai que ele também é dotado do “poooder da birra”. Ele vive manifestando esse poder: no trânsito, na fila do banco, contra a esposa e contra a cria. E na luta de poderes, ele usa a força física. Então a criança, luta, luta… até perder por exaustão. Dois caminhos: Ou o filho aprende o caminho do medo e pára ou ele descontrola esse poooder em níveis alarmantes, tornando-se cada vez mais opositor.

Obrigada por compartilhar.
É o filho do pai que acredita na autoregulação que poderá ajudar o filho do “pequeno tirano” no futuro…
Ele desenvolveu inteligência emocional…
Ele não precisa de controle externo para mediar o seu comportamento agressivo…
Ele já tem um caminho neural para lidar com a frustração…
Ele aprendeu a ter compaixão pelo tirano, afinal são só crianças grandes que não tiveram a mesma oportunidade.

 

Maria Tosin é psicóloga

Especialista em ajudar pais a criarem filhos felizes e autônomos.
Wspp: 41996515605

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