O American Film Institute, uma das instituições especializadas em cinema mais prestigiadas do mundo, elegeu o filme “A Felicidade Não se Compra” (‘It’s a Wonderful Life, de 1946), do cineasta Frank Capra, como o filme mais inspirador de todos os tempos.

Além do reconhecimento, o longa-metragem é tido como um clássico definitivo dos filmes de Natal – embora a intenção do diretor não fosse essa a princípio. Inclusive, a obra tem como premissa um argumento bem sombrio até o seu inevitável (e doce) final feliz.

Na história, George Bailey (interpretado pelo queridinho de Alfred Hitchcock, o ator James Stewart), é um homem que rotineiramente deixa suas ambições profissionais em segundo plano para ajudar como pode aqueles que são mais necessitados em sua comunidade.

George administra uma instituição financeira que dá empréstimos com juros mais baixos e constrói um conjunto habitacional para pessoas pobres. Infelizmente, ele perde por acidente uma bolada pertencente ao seu negócio bem na véspera de Natal e cogita se suicidar. É aí que a fantasia entra em cena.

No ato seguinte, um anjo aparece exatamente na hora em que o protagonista está prestes a se jogar de uma ponte e o convence a ir com ele até uma realidade paralela.

Nesta realidade, George não existe, e todas as pessoas ajudadas por ele vivem em desgraça. Assim, o empresário percebe como faz a diferença na vida dessas famílias e desiste de se auto-aniquilar.

Na época de seu lançamento, em pleno pós-Segunda Guerra, ‘A Felicidade Não se Compra’ teve recepção mista do público.

Muitos criticaram o tom deprimente da maior parte do enredo, algo que os americanos não estavam dispostos a ver na tela grande. No entanto, o enredo fazia total sentido para o diretor e seu ator principal, que se viram obrigados anos antes a servir no Exército durante a guerra.

Frank foi documentarista de propaganda para o governo dos EUA e viu os horrores de perto. Já Stewart foi piloto de bombardeiro na Europa e voltou aos EUA com transtorno de estresse pós-traumático.

Ademais, não ajudou na popularidade do filme que na época o FBI tenha o classificado como ‘propaganda/conteúdo comunista’, uma vez que o roteiro teria demonizado a imagem dos banqueiros ao colocar como vilão da história um dono de banco malvado, que rivaliza com o bonzinho Bailey.

Filme só cresceu com o passar do tempo

Apesar das críticas e da recepção morna, A Felicidade não se Compra se tornou um clássico de Natal nos anos seguintes.

Além disso, em 1974, por obra do destino, um erro administrativo fez com que os direitos autorais da obra não fossem renovados.

Como consequência, as emissoras de TV podiam exibi-lo sem ter de pagar nada. Advinha o resultado? Dezenas de milhões de espectadores assistindo ao filme em todas as vésperas natalinas.

Por fim, A Felicidade Não Se Compra se consolidou no imaginário popular como uma obra que promovia bons valores dos velhos tempos em uma sociedade cada vez mais voltada para o dinheiro.

Assista ao trailer:

Fonte: Super/Abril

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.