Tem série que a gente coloca “pra testar” e, quando percebe, já passou da meia-noite e você tá dizendo “só mais um” pela quarta vez.
O Diabo em Ohio é exatamente desse tipo — não porque entrega susto a cada esquina, mas porque vai apertando o clima aos poucos, como se a casa estivesse ficando pequena demais pra tanta coisa mal explicada.
A premissa é simples e já começa com cara de problema: uma psiquiatra decide acolher em casa uma adolescente que escapou de uma seita, e isso vira um terremoto doméstico.
A Suzanne (Emily Deschanel) faz o que muita gente faria por impulso — ajuda primeiro, pensa depois — e a série se diverte mostrando o preço dessa escolha quando o “refúgio” vira ponto de atrito entre marido, filhas, vizinhos e a própria polícia.
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A Netflix classifica como minissérie thriller, e a história realmente vai por esse caminho, com oito episódios de cerca de 40 e poucos minutos.
O acerto mais imediato está no jeito como a Mae (Madeleine Arthur) entra na família: ela não chega como “vítima fofinha” nem como “vilã caricata”. Ela chega… estranha, deslocada, aprendendo regras sociais como quem decora um roteiro — e isso é o que deixa tudo mais incômodo.
A dinâmica com a filha adolescente da Suzanne, por exemplo, cria uma disputa silenciosa que cresce sem precisar de gritaria o tempo todo. E é aí que a série prende: você quer entender o que aconteceu antes e, principalmente, o que ela quer agora.
Outra coisa que funciona bem é a estrutura de mistério: a trama joga pistas sobre o passado da seita e sobre a própria Suzanne, e vai conectando as peças enquanto a vida da família vai desandando.
A criadora é a Daria Polatin (que também escreveu o livro que inspirou a adaptação), e dá pra sentir que o foco é menos “ação” e mais tensão psicológica e choque de lealdades.
Nem tudo é perfeito: tem decisões de personagens que parecem teimosia roteirizada (aquela insistência em “vai dar certo” quando já deu errado cinco vezes), e parte do público sentiu isso — as notas em agregadores ficaram bem divididas entre crítica e audiência.
Se você curte suspense com clima de cidade pequena, segredos enterrados e uma sensação constante de que “tem algo fora do lugar”, O Diabo em Ohio é daquelas minisséries que você maratona fácil — e depois fica repassando cenas, tentando pegar o momento exato em que tudo começou a sair do controle.
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