Vá somando: 24 horas acordado e a cabeça já pesa; 36 horas e as palavras começam a falhar; depois de dois, três dias, tudo desanda — memória, humor, percepção.
“Awake” (2021) parte desse dado incômodo da neurociência e o empurra ao limite: um evento global derruba sistemas eletrônicos e a capacidade humana de dormir.
O resultado é um thriller de colapso que troca monstros por algo pior — um corpo que se recusa a desligar.
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Jill (Gina Rodriguez), ex-militar com passado complicado, tenta proteger os filhos quando o mundo entra em pane.
A filha caçula, Matilda (Ariana Greenblatt), consegue dormir — raridade que transforma a menina no alvo de quem acredita ter encontrado a “cura” e de quem enxerga uma ameaça.
Mãe e filha cruzam estradas tomadas por paranoia, comunidades à beira do surto e autoridades que já não raciocinam direito, em busca de um centro de pesquisa que talvez explique o fenômeno.
A lógica do relógio biológico: o filme constrói tensão com a contagem invisível das horas sem sono. Quanto mais tempo acordado, piores as decisões, mais perigosas as situações.
Surto social verossímil: sem “vilão clássico”, a ameaça nasce do desgaste coletivo — fé distorcida, teorias improvisadas, violência desorganizada.
Gancho emocional claro: uma mãe que precisa escolher entre expor a filha que dorme (e pode salvar vidas) ou mantê-la segura fora do radar.
Funciona a ideia: privação de sono como motor de suspense, com alucinações, lapsos de memória e agressividade surgindo de forma progressiva.
O filme também acerta ao usar o ponto de vista de Matilda para aterrissar cenas de caos. Já quem espera respostas científicas fechadas pode estranhar as explicações parciais; “Awake” prefere o impacto da hipótese ao manual técnico.
Título: Awake (2021) • Direção: Mark Raso • Elenco: Gina Rodriguez, Ariana Greenblatt, Shamier Anderson, Jennifer Jason Leigh • Gênero: suspense/ficção científica • Duração: ~1h36 • Onde ver: Netflix (catálogo sujeito a mudanças).
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