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Após a perda dos filhos, gaúcha conta como enfrenta diagnóstico de câncer: “Não existe dor que dure para sempre”

A vida pode pregar surpresas que ninguém espera, mas a determinação de Liz, de 44 anos, moradora de Canoas (RS), mostra que é possível reunir forças mesmo diante das maiores perdas.

Hoje ela usa sua experiência como forma de inspirar quem atravessa momentos de dor, provando que cada capítulo difícil também pode abrir caminho para descobertas valiosas.

Liz cresceu sabendo que teria obstáculos para realizar um grande desejo: engravidar. Na adolescência, recebeu um diagnóstico de infertilidade que a deixou em alerta. Contudo, ela não se deixou desanimar e decidiu que seria mãe de qualquer maneira.

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Com o passar do tempo, engravidou aos 23 anos e viveu uma mistura de alegria e apreensão. A gestação apresentou complicações, e o pequeno Nathan nasceu prematuro, precisando de cuidados intensivos. Ele foi diagnosticado com uma cardiopatia severa e, infelizmente, não resistiu.

A perda abalou o casamento e a saúde emocional de Liz. Ela e o marido enfrentaram o luto de maneiras distintas, até que se separaram três anos após o ocorrido. Com o coração marcado, mas ainda cheio de vontade de formar uma família, Liz encontrou outro companheiro e mergulhou mais uma vez no sonho da maternidade.

Foi um caminho acidentado: ela passou por abortos espontâneos em diferentes fases de gravidez, o que abalou sua fé e a fez duvidar se realmente poderia ter um filho saudável.

Depois de cinco anos vivendo como uma “tentante persistente”, finalmente veio a gestação de Nathalia. Liz investiu em cada exame, redobrou os cuidados e viu o nascimento de uma menina perfeita, que se tornou a maior alegria do casal.

No entanto, quando a criança tinha três anos e meio, um acidente de carro interrompeu bruscamente esse momento de felicidade.

Liz sobreviveu, mas viu a filha partir. Sem saber, ela já estava grávida no período do acidente e descobriu alguns meses depois que tinha outra vida crescendo em seu ventre.

Embora ainda abalada, Liz sentiu uma nova esperança ao perceber que sua fé e gratidão podiam ser maiores do que a dor. A segunda filha, Luísa, chegou após uma gravidez repleta de riscos, incluindo descolamento de placenta e episódios de hemorragia.

Mesmo assim, o amor e a vontade de seguir em frente deram a Liz a força necessária para enfrentar cada internação e prosseguir. Dois anos depois, Laura nasceu para completar a família, trazendo ainda mais motivos para Liz acreditar que os recomeços são reais.

Entre as alegrias e dificuldades, surgiram novos desafios. Em 2024, investigações médicas para possível endometriose levaram ao diagnóstico de tumores severos na mama esquerda.

Liz iniciou a quimioterapia e, em meio a enjoos, perda de peso e mudanças na rotina, nunca deixou de conversar abertamente com as filhas sobre o que estava acontecendo. Durante esse tratamento, ela também enfrentou o término do casamento, mas encontrou nas duas meninas um grande apoio emocional.

Sempre otimista, Liz não escondeu os momentos de fraqueza, mas fez questão de demonstrar que havia muita vontade de viver, de cuidar das filhas e de mantê-las fortes.

Cada sessão de quimioterapia foi encarada como um degrau rumo à superação. Ela passou por dezenas de aplicações, além de radioterapias e cirurgias, e agora segue com quimioterapia oral.

Apesar das dificuldades, Liz utiliza sua voz para ajudar mulheres que enfrentam situações parecidas, compartilhando aprendizados em palestras e projetos sociais. Para ela, é essencial conversar sobre dor e luto, mas também sobre esperança e sobre o poder de se reinventar após acontecimentos traumáticos.

Ao olhar para o passado, Liz enxerga perdas irreparáveis, mas valoriza a oportunidade de transformar as cicatrizes em ensinamentos. Suas filhas, presentes ou ausentes, continuam sendo a maior inspiração para seguir em frente.

“Não existe dor que dure para sempre”, afirma Liz. Ela lembra que sempre há espaço para a reconstrução, seja após o fim de um relacionamento, um diagnóstico aterrador ou a despedida de quem amamos.

E reforça que, nesse processo, permitir-se sentir, chorar e lembrar são passos fundamentais para, depois, retomar a caminhada com um pouco mais de leveza.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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