Saúde e Bem Estar

Mpox pode virar epidemia ou surto no Brasil? Médico explica o que realmente preocupa no momento

Quando um vírus volta a aparecer nas manchetes, a dúvida costuma ser a mesma: “isso já virou surto?”. No caso da mpox, o melhor jeito de responder é olhar menos para o susto do número isolado e mais para como a transmissão acontece — e para a velocidade com que casos ligados entre si começam a se acumular.

Hoje, os dados e o padrão de contágio ajudam a colocar a situação em perspectiva: há circulação do vírus e aumento de notificações em 2026, mas isso está longe de significar epidemia.

O infectologista e sanitarista Dráurio Barreira Cravo Neto, diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, resume a avaliação atual: não estamos em cenário de surto ou epidemia, e informação correta evita pânico.

O que os números mais recentes sugerem

No Brasil, 2026 já soma dezenas de casos confirmados — com concentração em grandes centros.

Em levantamento divulgado pela Agência Brasil com base em dados do Ministério da Saúde, foram 88 casos confirmados no ano até fevereiro, com maioria em São Paulo, além de registros em outros estados; o texto também aponta que predominam quadros leves a moderados e que não havia óbitos naquele recorte.

Ou seja: existe circulação e precisa de vigilância, mas o comportamento observado não indica “explosão” sustentada de transmissão.

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Por que a mpox não “dispara” do nada como gripe

A principal via de transmissão é contato direto com lesões/erupções na pele, secreções e fluidos corporais; também pode ocorrer por exposição próxima e prolongada a gotículas e secreções respiratórias.

Isso muda o jogo: para virar surto, geralmente é preciso uma cadeia de contatos muito próxima e repetida, com diagnóstico demorando, gente mantendo contato íntimo apesar de sintomas, e falhas em isolar casos até as lesões cicatrizarem.

Um ponto prático: a transmissibilidade tende a durar até a cicatrização completa das lesões (ou remissão dos sintomas), então identificar cedo e reduzir contato nesse período costuma cortar a corrente de transmissão.

Quem tem mais risco de complicação – e por que isso entra na conta

A mpox pode afetar qualquer pessoa, mas o risco de quadros mais complicados aumenta em pessoas com imunossupressão.

Por isso, o Ministério da Saúde mantém recomendações específicas e estratégias de vacinação voltadas a públicos prioritários, incluindo, por exemplo, alguns perfis de pessoas vivendo com HIV com imunidade mais baixa (conforme critérios técnicos) e profissionais com risco ocupacional.

Então quais são, de verdade, as chances de surto/epidemia?

Pelo que as autoridades vêm comunicando e pelo desenho da transmissão, a chance de um surto amplo aumenta quando alguns fatores se somam:

Diagnóstico tardio (lesões confundidas com outras condições e a pessoa mantendo contato físico próximo).

Cadeias de contato muito intensas e concentradas, em que um caso passa por muitos contatos próximos antes de ser identificado. (Isso é mais sobre comportamento e contexto de exposição do que sobre “o vírus no ar”.)

Entrada de casos importados e circulação de variantes/clados em outros países, exigindo atenção de vigilância e investigação rápida.

A OMS segue publicando relatórios do cenário internacional e registrou, em fevereiro de 2026, eventos com casos ligados a viagem e confirmação de clado específico em território francês ultramarino, como exemplo de monitoramento ativo.

Baixa adesão a medidas simples: evitar contato direto com lesões, não compartilhar itens potencialmente contaminados e procurar atendimento no começo dos sintomas.

Ao mesmo tempo, há “freios” importantes: vigilância mais madura desde 2022, ampliação de testes e fluxos laboratoriais, e vacinação estratégica para quem mais se beneficia dela.

O que fazer ao suspeitar de mpox

Se surgirem lesões na pele (especialmente se vierem com febre, dor no corpo ou gânglios aumentados), procure atendimento e evite contato físico próximo até avaliação.

Não compartilhe toalhas, roupas, lençóis ou objetos que encostem nas lesões.

Se você faz parte de grupo prioritário, pergunte na sua rede de saúde/UBS sobre vacinação e critérios locais (eles seguem diretrizes nacionais).

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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