Não é todo dia que uma produção consegue ser atual, afiada e ainda resgatar a essência de uma obra dos anos 1980. Mas As Quatro Estações, minissérie da Netflix lançada em 2025, acerta em cheio ao propor um novo olhar sobre o envelhecer, as relações duradouras e a vontade — às vezes silenciosa — de mudar de rota mesmo depois dos 50.
Com roteiro assinado por Tina Fey, Lang Fisher e Tracey Wigfield, a série reinventa a proposta do clássico Oito Vezes Amor e o resultado é uma combinação certeira de humor seco, observação emocional e surpresas muito bem dosadas.
Ao longo de quatro episódios, três casais se reencontram em diferentes viagens, colocando em xeque escolhas, frustrações e afetos que nunca foram realmente resolvidos. Os encontros, aparentemente despretensiosos, servem como cenário para discussões afiadas e situações inusitadas, onde a graça nasce do desconforto e da fricção entre passado e presente.
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A série aposta em sutilezas — às vezes um olhar basta para dizer mais do que qualquer discurso. E entre piadas certeiras e silêncios incômodos, a narrativa mostra como a vida adulta continua exigindo reinvenção, mesmo quando tudo parece acomodado.
O elenco é um show à parte. Tina Fey interpreta uma mulher em posição de controle, mas que claramente perdeu o próprio centro. Ao seu lado, Will Forte vive um marido contido, cuja passividade serve como espelho para o desgaste do casal.
Steve Carell entrega uma das performances mais afiadas da carreira, interpretando um homem recém-separado que mergulha em um romance improvável — não como fuga, mas como tentativa desesperada de recomeço.
Já Kerri Kenney constrói sua personagem com um crescimento inesperado, ganhando protagonismo no desenlace da série de forma surpreendente e bem construída.
Um dos pontos altos da minissérie é o casal formado por Colman Domingo e Marco Calvani. Seus personagens, Danny e Claude, não funcionam como simples alívio cômico ou marca de representatividade. Eles são profundos, complexos, cheios de contradições — e isso dá força à história.
A relação entre os dois rompe com o que normalmente se espera da televisão e propõe conversas relevantes sobre convivência, vulnerabilidade e desejo de pertencimento. A química entre os atores também ajuda: há um equilíbrio entre introspecção e entrega que torna cada cena entre eles impossível de ignorar.
As Quatro Estações é mais do que uma releitura — é um trabalho autoral que sabe usar o material original como trampolim e não como muleta. A série observa com inteligência como envelhecer muda tudo, menos a complexidade de querer ser feliz.
Com uma linguagem direta, porém cheia de camadas, ela provoca, diverte e comove sem precisar forçar a mão. O resultado é uma produção elegante e provocadora que prova que, mesmo quando as estações mudam, certos sentimentos continuam a pedir respostas.
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