Se você está procurando um romance que não vem embalado em promessa fácil, Educação (filme britânico lançado em 2009 e disponível na Netflix) vai te pegar de um jeito diferente: ele te faz analisar cada cena como quem junta pistas.
Dirigido por Lone Scherfig e inspirado nas memórias da jornalista Lynn Barber, o longa usa o amor como gatilho para falar de escolhas, pressão social e aquela fase em que a gente confunde “vida adulta” com “vida chique”.
A história se passa no começo dos anos 1960 e tem uma frieza interessante: em vez de vender o romance como resposta, o filme trata sentimento como algo que pode tanto iluminar quanto atrapalhar — e, às vezes, as duas coisas ao mesmo tempo.
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O resultado é um drama que observa de perto o que acontece quando encanto vira regra e quando alguém muito jovem tenta decidir o futuro com informação incompleta.
No centro está Jenny, adolescente brilhante criada nos subúrbios de Londres, com a rotina milimetricamente organizada para um objetivo bem específico: entrar em Oxford.
Ela é boa aluna, disciplinada, e carrega a expectativa de que estudar é a única porta realmente “segura” para subir na vida. Até que aparece David, mais velho, educado, convincente, com aquele tipo de carisma que parece conhecimento de mundo.
David oferece a Jenny um atalho sedutor: restaurantes caros, concertos, conversas cheias de referências, viagens inesperadas e a sensação de que existe uma vida acontecendo “do lado de fora” da escola.
O filme acerta quando mostra que não é só deslumbramento: Jenny é curiosa, gosta de cultura, quer experimentar, e a experiência que ele apresenta parece conversar com o que ela tem de mais inteligente — não só com o que ela tem de mais romântico.
Só que, conforme a relação avança, o roteiro vai apertando o foco e revelando o que estava escondido na superfície.
O romance deixa de ser “história de amor” e vira uma espécie de aula prática sobre assimetria: quem tem idade, dinheiro e status controla o ritmo, decide o que é verdade e o que é versão conveniente.
Jenny começa a perceber que a sofisticação pode ser uma vitrine — e que, atrás dela, existe um jogo de poder bem menos elegante.
O texto do filme também cutuca um ponto desconfortável: o quanto a gente quer acreditar em uma narrativa quando ela resolve problemas rápido.
A cada decisão, Jenny troca um pedaço do plano original por uma promessa de futuro prontinho, e o longa insiste em mostrar o custo disso com calma, sem música “explicando emoção” e sem tentar aliviar a responsabilidade de ninguém.
Boa parte desse impacto vem da Carey Mulligan, que faz Jenny com um equilíbrio raro: ela não interpreta uma garota “ingênua” como caricatura, e sim como alguém muito capaz — só que ainda aprendendo a reconhecer armadilhas sociais.
A atuação é cheia de microdecisões: o olhar que mede a situação, a voz que muda quando ela percebe que está sendo conduzida, a coragem que aparece tarde, mas aparece.
Do outro lado, Peter Sarsgaard sustenta David na linha exata entre charme e alerta. O personagem nunca vira um vilão óbvio; ele é mais perigoso justamente porque sabe parecer correto, sabe usar educação como escudo e sabe transformar dúvidas em “exagero”. Essa ambiguidade mantém a tensão do filme mesmo quando a trama parece, por alguns minutos, confortável demais.
Nos coadjuvantes, o filme expõe como a pressão familiar também empurra escolhas: Alfred Molina e Cara Seymour fazem os pais de Jenny com a ansiedade de quem vê o estudo como salvação e, ao mesmo tempo, não tem ferramentas para entender o que a filha está vivendo de verdade.
E a presença de Rosamund Pike ajuda a ampliar o contraste entre aparência e bastidor, mostrando como certas “boas companhias” podem normalizar o que deveria levantar suspeita.
Vale ver? Se você curte romance que dá assunto depois — e não romance que só entrega química e pronto — Educação funciona muito bem. É um filme que te faz observar comportamento, contexto e intenção, e que coloca a pergunta certa na mesa: quando alguém te oferece uma vida “melhor”, o que essa pessoa ganha com isso?
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