Espiritualidade

Osho, um mestre polêmico

Por Sandra Cruz

“Por que não apenas simplesmente ser? Por que desnecessariamente correr para cá e para lá? Você é o que a existência quer que você seja.
Então relaxe.”

Foi com um discurso simples e provocador que Osho fascinou multidões e conquistou discípulos no mundo inteiro. Com voz mansa, muitas vezes carregada de ironia, Osho questionava as instituições e criticava a aceitação pacífica de todos os padrões estabelecidos pela sociedade. Era radicalmente contra a limitação que a família, a Igreja e o Estado impunham às pessoas e defendia que o homem deveria deixar para trás ideias preconcebidas, que criam bloqueios, para passar a pensar e viver conforme suas próprias percepções e experiências individuais.

Não bastasse a ousadia de tocar em assuntos tão sensíveis, ele criou polêmica ao divulgar o tantra yoga, a prática milenar que defende a sexualidade como uma força poderosa para se alcançar o crescimento espiritual. Osho dizia sem pudores que o sexo era uma forma de se chegar a Deus. Um dos mais ousados mestres espirituais de todos os tempos, levantou ideias que nenhum outro guru jamais pensou em abraçar. Para dizer o mínimo, é uma figura que vale a conhecer.

Doce rebelde

Filho mais velho de um mercador de tecidos, Osho nasceu Rajneesh Chandra Mohan em 11 de dezembro de 1931, na pequena vila indiana de Kuchwada, no estado de Madhya Pradesh.

Até os sete anos,  foi criado pelos avós, em um ambiente de total liberdade de expressão, mas muito respeito. Osho dizia que essa fase teve um papel crucial em sua formação e lembrava com orgulho que, quando criança, sempre pôde fazer o que bem queria, sem interferência de ninguém.

Essa criação desregrada deu origem a uma personalidade anárquica, rebelde e contestadora. Quando cresceu, o garoto passou a questionar as leis e os padrões de comportamento do mundo à sua volta e rebelou-se sobretudo contra as regras impostas pela vida em sociedade. Decidiu, então, encontrar por si só a verdade da vida, descartando a imposição de qualquer dogma, fosse ele religioso, social ou político. A iluminação viria mais tarde, aos 21 anos de idade.

Graduado em filosofia, Osho foi professor na Universidade de Jabalpur por nove anos. Chegou uma hora, porém, em que sua ânsia por crescimento espiritual falou mais alto. Foi quando ele abandonou a carreira acadêmica para dedicar-se a esses temas. Viajou por todo o país e participou de debates públicos que chocavam a todos.

Àquela altura, o jovem indiano já contava com uma pequena legião de seguidores, os chamados sannyasins. Não demorou para passar a ser chamado de Bhagwan Shree Rajneesh, que em uma tradução livre significa “Deus abençoado”.

Tempos depois se tornaria Osho, nome que na tradição zen significa mestre espiritual. Segundo ele, sua alcunha – que significa “o que se dissolve no oceano” – vinha da expressão “experiência oceânica”, criada pelo filósofo americano William James.

Com os sannyasins, Osho mudou-se para Bombaim e, em 1974, fundou na cidade de Puna seu primeiro ashram (escola espiritual). Lá, milhares de pessoas dos quatro cantos do planeta se reuniam para ouvi-lo e para vivenciar a revolucionária meditação dinâmica, criada por ele no final da década de 60.

Meditação dinâmica

As práticas desenvolvidas por Osho utilizam técnicas de hiperventilação, música, dança, expressão, partindo da euforia para o silêncio, com o objetivo de romper as barreiras emocionais do praticante.

Artigo reproduzido do site Tríada

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