Filmes e Séries

Quem começou essa série da Netflix disse a mesma coisa: impossível parar antes do fim

Se você anda querendo uma série curta, daquelas que você coloca “só mais um episódio” e quando vê já passou da meia-noite, Gangues da Galícia entra fácil nessa lista.

É um suspense criminal espanhol com oito capítulos, clima carregado e uma história que não tem paciência pra enrolação: cada cena parece empurrar alguém para uma escolha ruim — e o espectador vai junto, preso na tensão.

A trama se apoia em disputas por território e influência dentro do crime organizado na Galícia, mas o diferencial é o jeito como a série mostra o custo disso.

Aqui, ninguém sai limpo: o impacto aparece nas relações, nas famílias, no medo que gruda na rotina e na sensação de que qualquer conversa pode virar ameaça. O ritmo já começa apertado e vai ficando mais sufocante conforme os lados se chocam.

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O cenário ajuda muito: uma região costeira em que muita coisa parece acontecer em voz baixa, com códigos próprios e gente que prefere não perguntar demais. Entre rotas ilegais, acordos velhos e “respeitos” que só existem enquanto são úteis, diferentes grupos começam a se mover para tomar o controle do tráfico local.

Quando isso acontece, o conflito não fica restrito aos chefes: puxa junto comerciantes, aliados, parentes e até quem tenta manter alguma ordem, mesmo sabendo que a margem de manobra é pequena.

Conforme a disputa esquenta, a série trabalha bem um ponto que deixa tudo mais tenso: alianças nunca são estáveis. Um pacto feito hoje pode virar armadilha amanhã.

E quando uma peça fora do lugar aparece — um erro, uma desconfiança, um recado mal interpretado — o que era “negócio” vira sobrevivência em poucos minutos.

Aos poucos, figuras que se escondiam atrás de intermediários acabam expostas, e isso muda o jogo: fica mais fácil atacar, mas também mais fácil cair.

O suspense não depende só de confronto direto. A série cria pressão com dilemas bem práticos: proteger alguém querido ou salvar a própria pele? continuar obedecendo a hierarquia ou cortar caminho? calar e aguentar ou reagir e provocar uma guerra? Essas decisões vão se acumulando e deixam claro que “lealdade” é uma palavra bonita, mas frágil quando a conta chega.

E aí entra um recurso que funciona muito: os episódios costumam terminar em momentos decisivos, daquele tipo que interrompe seu descanso porque você precisa entender o que vem depois.

O passado dos personagens também pesa — não como explicação fácil, e sim como um rastro que volta na pior hora, reacendendo dívidas, rancores e segredos que todo mundo preferia manter enterrados.

No elenco, Tamar Novas segura um papel central com um tipo de atuação contida, mas cheia de tensão por baixo — você sente o conflito antes mesmo dele falar.

Clara Lago aparece como um contraponto importante, trazendo o lado de quem tenta manter alguma normalidade enquanto tudo ao redor vai sendo engolido por decisões alheias.

E Luis Tosar chega com presença de tela forte, daquele jeito que muda a temperatura da cena: quando ele entra, dá pra perceber que as regras podem mudar sem aviso.

Vale a pena assistir?

Se você gosta de thriller criminal sem maquiagem, com clima pesado e sensação constante de risco, sim.

O formato curto ajuda: não tem espaço para capítulos de “preenchimento”, e a história anda como se estivesse sempre um passo de sair do controle.

É o tipo de série que prende mais pelo nervosismo do que por grandes discursos — e justamente por isso fica difícil largar antes do último episódio.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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