Uma pequena marca avermelhada no rosto pode parecer algo fácil de resolver: irritação, alergia, espinha ou eczema. Foi exatamente essa interpretação que fez Beth Brown continuar passando cremes sobre uma lesão que descamava, criava crostas e voltava a sangrar. O problema permaneceu por cerca de dois anos, até que ela descobriu que aquela mancha discreta era um câncer de pele.
Beth percebeu a alteração quando estava por volta dos 28 anos. Hoje, aos 30, a comissária de bordo britânica decidiu expor o que aconteceu para alertar outras pessoas sobre um costume que manteve durante seis anos: o uso frequente de câmaras de bronzeamento artificial.
Beth começou a frequentar câmaras de bronzeamento em 2018, quando tinha 22 anos. No início, as sessões duravam aproximadamente seis minutos. Depois passaram para oito e, com o tempo, chegaram a 20 minutos.
A frequência também variava. Em alguns períodos, ela recorria ao bronzeamento artificial duas vezes por mês; em outros, chegava a fazer uma sessão por semana.
O hábito era reforçado pela profissão. Como comissária de bordo, Beth viajava constantemente e aproveitava as folgas para permanecer ao sol. Ela conta que raramente usava protetor solar porque havia crescido em uma família na qual se bronzear sem proteção era tratado como algo normal.
Durante anos, a aparência bronzeada pareceu compensar qualquer risco distante. O corpo, porém, costuma registrar hábitos que a cabeça prefere fingir que não existem.
A alteração surgiu na lateral do rosto como uma pequena área vermelha. Beth acreditou que fosse eczema e tentou tratá-la com cremes hidratantes e pomadas disponíveis em farmácias.
Nada resolveu.
A mancha descamava, formava crostas e sangrava ocasionalmente. Mesmo assim, ela não relacionou o problema ao câncer de pele. Lesões cancerígenas nem sempre aparecem como pintas escuras ou muito deformadas. Um carcinoma basocelular também pode se apresentar como uma ferida que não cicatriza, uma placa avermelhada ou uma região que sangra e volta a criar crosta.
A mudança aconteceu quando Beth comentou o caso com o namorado. Ele enviou uma fotografia da lesão para a mãe, que é médica. Ao observar a imagem, ela recomendou que Beth procurasse atendimento profissional.
Segundo a comissária, provavelmente teria continuado ignorando a mancha caso não tivesse recebido esse alerta.
Após passar por avaliação e exames, Beth recebeu em outubro de 2025 o diagnóstico de carcinoma basocelular, também chamado de CBC.
Esse é o tipo mais comum de câncer de pele. Em geral, cresce lentamente e raramente se espalha para órgãos distantes. Isso não significa que possa ser ignorado. Sem tratamento, o tumor pode avançar para camadas mais profundas e danificar os tecidos ao redor. Quando identificado cedo e removido corretamente, apresenta altas taxas de controle.
Beth precisou esperar cerca de seis meses pela cirurgia. Nesse intervalo, conviveu com o medo de que a lesão aumentasse.
A retirada foi realizada em maio de 2026. Ela decidiu não receber um enxerto de pele e deixou que a região cicatrizasse gradualmente.
Antes da cirurgia, Beth acreditava que o procedimento seria simples. Chegou a informar no trabalho que poderia retornar no dia seguinte porque imaginava sair do hospital com um pequeno ponto no rosto.
A realidade foi bem diferente.
A remoção do tumor deixou uma ferida aberta e profunda. Beth precisou comparecer ao hospital semanalmente para acompanhamento e troca dos curativos. Ela admite que não estava preparada para a extensão da lesão nem para o tempo necessário até a recuperação da pele.
O local cicatrizou, embora tenha permanecido mais sensível. A experiência também deixou uma marca bem menos visível, mas bastante prática: ela abandonou as câmaras de bronzeamento e passou a usar protetor solar diariamente.
O bronzeamento ocorre porque a radiação ultravioleta agride as células da pele. Como reação, o organismo produz mais melanina. Portanto, a mudança de cor já é uma resposta ao dano provocado pela radiação, e não um sinal de que a pele ficou mais saudável.
As câmaras de bronzeamento emitem radiação ultravioleta artificial. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, classifica essa radiação como cancerígena para seres humanos.
Dados divulgados pela Academia Americana de Dermatologia indicam que o bronzeamento artificial está associado a um aumento de 24% no risco de carcinoma basocelular e de 58% no risco de carcinoma espinocelular. Estudos também encontraram uma ligação especialmente preocupante entre o uso desses equipamentos no começo da vida adulta e o surgimento precoce do carcinoma basocelular.
O dano pode ocorrer mesmo quando a pessoa não sofre uma queimadura visível. A ausência de ardência ou vermelhidão intensa não significa que a radiação deixou a pele intacta.
A história ganhou outro capítulo dentro da própria família. Depois de saber do diagnóstico da filha, a mãe de Beth resolveu examinar uma alteração em sua pele.
Ela também recebeu o diagnóstico de carcinoma basocelular.
Para Beth, isso reforçou a importância de observar manchas persistentes e abandonar a ideia de que o câncer de pele acontece somente com pessoas idosas ou com quem passa o dia inteiro exposto ao sol.
Ela admite que se sentiu ingênua e culpada por ter usado câmaras de bronzeamento durante tanto tempo. Agora, procura transformar o arrependimento em informação.
Seu cuidado atual inclui protetor solar diário, chapéu, períodos à sombra e menor exposição direta. A recomendação médica é procurar um dermatologista diante de uma pinta nova, lesão que muda, coça, sangra, forma crosta repetidamente ou simplesmente não cicatriza.
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