Filmes e Séries

Esse filme da Netflix prende por 123 minutos e termina deixando uma pergunta que não sai da cabeça

Tem filme que fisga pela ação. Não Se Preocupe, Querida escolhe outro caminho: ele instala um incômodo constante e faz o público seguir atento, tentando entender por que tudo parece bonito demais para ser confiável.

Em cartaz na Netflix, o longa dirigido por Olivia Wilde aposta em tensão psicológica, atmosfera calculada e uma trama que vai ganhando peso conforme pequenas falhas começam a aparecer.

A história acompanha Alice, vivida por Florence Pugh, moradora de uma comunidade planejada que parece saída de uma propaganda antiga. As casas são impecáveis, a rotina é organizada e existe uma sensação de ordem quase rígida.

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Enquanto os homens saem diariamente para trabalhar em um projeto cercado de sigilo, as mulheres permanecem em casa, repetindo hábitos que, à primeira vista, passam uma imagem de estabilidade.

Só que essa aparência começa a desmoronar quando Alice percebe sinais estranhos demais para serem ignorados.

Situações desconfortáveis, reações fora do tom e episódios difíceis de explicar fazem a personagem desconfiar de que há algo muito errado por trás daquela vida tão controlada.

A partir daí, o filme cresce justamente nessa sensação de desajuste, como se a qualquer momento alguma peça fosse sair do lugar de vez.

Em vez de entregar respostas rápidas, o roteiro prefere alimentar a dúvida. Cada nova descoberta mexe com a percepção de Alice e também com a de quem assiste.

O suspense se sustenta nessa pressão silenciosa, na ideia de que há regras escondidas ali e de que questioná-las pode ter consequências sérias.

Isso deixa a narrativa mais inquietante do que explosiva, com um clima que vai apertando sem precisar recorrer o tempo todo a sustos fáceis.

Também chama atenção a forma como o filme trabalha temas como vigilância, obediência e manipulação.

A comunidade que parecia acolhedora passa a ter um ar sufocante, e o comportamento das pessoas ao redor reforça a impressão de que Alice está cercada por algo maior do que imaginava.

O mistério, então, deixa de ser só “o que está acontecendo?” e vira também “quem está no controle disso tudo?”.

Florence Pugh segura boa parte do impacto do filme com uma atuação firme e intensa.

Ela convence tanto nos momentos de aparente tranquilidade quanto quando a personagem começa a perder a confiança em tudo ao seu redor. Harry Styles interpreta Jack, marido de Alice, e funciona como peça importante nesse jogo de tensão doméstica.

Já Chris Pine entra em cena como uma figura influente dentro da comunidade, ampliando ainda mais o tom de ameaça que ronda a história.

O elenco ajuda porque Não Se Preocupe, Querida depende muito de olhares, silêncios e mudanças sutis nas relações. Quase toda conversa parece esconder alguma coisa, e isso faz diferença num filme que vive de suspeita e desconforto crescente.

Vale a pena assistir, principalmente para quem gosta de suspense psicológico com clima estranho, crítica embutida e uma condução menos óbvia.

Não Se Preocupe, Querida tem um ritmo mais cadenciado no começo, mas usa esse tempo para montar o cenário com cuidado e deixar a tensão crescer de forma consistente.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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