Filmes e Séries

Neste filmaço de romance e drama, filho de um general de Hitler se apaixona por uma mulher negra em pleno Terceiro Reich

Há filmes de guerra que apostam no campo de batalha. Amor em Tempos de Ódio escolhe outro caminho: coloca a tensão dentro de uma relação que, desde o início, nasce cercada de risco.

O que move a história não é só o contexto brutal da Alemanha nazista, mas a forma como o longa transforma esse cenário em algo íntimo, sufocante e emocionalmente instável, acompanhando duas vidas que sabem, o tempo todo, que estão pisando em terreno proibido.

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Lançado originalmente como Where Hands Touch, o filme é dirigido por Amma Asante e traz Amandla Stenberg no papel de Leyna, uma adolescente negra que vive na Alemanha de 1944 sob perseguição constante por causa de sua origem.

Do outro lado está Lutz, interpretado por George MacKay, um jovem ligado à Juventude Hitlerista e filho de um oficial nazista de alta patente. É dessa aproximação improvável que nasce o centro dramático da trama.

A premissa, por si só, já chama atenção, mas o longa funciona melhor quando abandona qualquer idealização e mostra o peso concreto daquela realidade sobre Leyna.

A personagem vive sob vigilância, medo e humilhações frequentes, e isso dá ao filme um tom mais duro do que o título brasileiro pode sugerir à primeira vista.

O romance existe, claro, mas ele vem contaminado por pressão, contradição e pelo tipo de insegurança que não deixa ninguém relaxar de verdade.

Um dos pontos mais interessantes da produção é justamente tirar da margem uma história que raramente aparece em filmes ambientados no nazismo: a perseguição a pessoas negras na Alemanha daquele período.

O roteiro parte dessa camada histórica para construir Leyna como alguém que tenta sobreviver em um espaço que insiste em negar sua existência. Isso dá ao filme uma identidade própria e ajuda a explicar por que tanta gente se envolve com a narrativa mesmo quando ela toma decisões mais arriscadas no campo melodramático.

A direção de Amma Asante aposta mais na sensibilidade do que no choque fácil. Há um cuidado visível na ambientação, no figurino e na maneira como o filme usa os silêncios entre os personagens.

Em vez de correr, a história prefere observar. Para parte do público, esse ritmo mais contido pode soar menos explosivo do que o tema promete. Por outro lado, é justamente essa escolha que deixa o desconforto crescer aos poucos e sustenta boa parte da força do filme.

Amandla Stenberg segura o longa com firmeza. Sua Leyna carrega dor, maturidade precoce e uma vontade quase teimosa de continuar existindo num ambiente hostil. George MacKay também ajuda a compor a ambiguidade de Lutz sem transformá-lo em figura simplificada.

O resultado é uma dinâmica que provoca tensão o tempo inteiro, porque o espectador entende desde cedo que esse afeto está cercado por limites morais, políticos e pessoais muito difíceis de contornar.

Também vale dizer que Amor em Tempos de Ódio passou por debates desde o lançamento. Parte da recepção crítica elogiou a proposta de abordar uma experiência histórica pouco retratada, enquanto outra parte questionou a execução do roteiro e o risco de suavizar elementos do nazismo dentro de uma trama romântica.

Essa divisão ajuda a explicar por que o filme costuma gerar reações fortes, seja de quem se conecta com a história, seja de quem enxerga problemas na abordagem.

Para quem gosta de dramas românticos atravessados por tensão histórica, sofrimento pessoal e escolhas impossíveis, é um título que merece atenção.

No Brasil, o filme aparece para aluguel ou compra em plataformas digitais como Amazon Video e Apple TV, e também pode ser alugado no Claro video, segundo os catálogos consultados.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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