Filmes e Séries

Nova série policial na Netflix começa acelerada e não pisa no freio

Se a plataforma anda cheia de thrillers genéricos, Os Assassinatos da Mandala chega para puxar a fila dos viciantes. A produção indiana, lançada globalmente em 25 de julho, abre com um ritual macabro no centro de uma pequena cidade chamada Charandaspur — e, dali em diante, o batimento cardíaco do espectador acompanha o da protagonista.

Rea Thomas (Vaani Kapoor) é a investigadora recém‑transferida que assume a cena do crime. Ao lado do ex‑policial Vikram Singh (Vaibhav Raj Gupta), ela descobre que o corpo faz parte de um desenho maior: as vítimas são posicionadas em pontos que, vistos do alto, formam uma mandala.

Cada linha indica conexão com a seita Aayast Mandal, dissolvida nos anos 1950 após tentar ressuscitar uma divindade chamada Yast usando membros humanos “perfeitos”. Os oito episódios seguem esse quebra‑cabeça, alternando interrogatórios tensos e flashbacks do culto original.

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Um diferencial é o vilão elegante: Ananya Bharadwaj (Surveen Chawla), política local que guarda ligação sanguínea com a antiga líder da seita. Ela manipula câmeras, coletivos religiosos e até hashtags para manter o mito vivo, e sua presença provoca iguaria rara no gênero: confronto ideológico, não apenas físico.

Visualmente, a série trabalha três paletas. O presente usa tons frios e néon para sublinhar tecnologia forense; os rituais mesclam vermelho e dourado em homenagens a ícones hindus distorcidos; os flashbacks ganham sépia que simula documentação perdida.

Esse jogo cromático ajuda o público a separar temporalidades mesmo quando a montagem embaralha fatos — estratégia do criador Gopi Puthran para manter o mistério vivo até o último capítulo.

A trilha sonora de Tanishk Bagchi evita batidas óbvias e aposta em mantras invertidos, inseridos em volume quase subliminar. Não é só efeito estiloso: a música funciona como pista. A cada vez que o cântico surge, um detalhe de cena — uma tatuagem, um símbolo em papelada antiga — ganha significado posterior, recompensando quem presta atenção.

Outro ponto alto é o ritmo. Diferente de muitos procedurais que resolvem um caso por episódio, Os Assassinatos da Mandala carrega a mesma investigação até o fim, elevando stakes capítulo a capítulo.

O penúltimo episódio termina com sequestro, chuva de lanternas e montagem paralela do ritual final; o último gasta vinte minutos em puro clímax e ainda solta gancho para possível segunda temporada.

Se você curte séries que misturam crime, folclore e conspiração política sem espaço para respiro, vale a maratona: do primeiro cadáver ao símbolo final piscando na tela, não há momento em que a narrativa alivie o acelerador.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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