Por Philippe Leão do site CinePlot

É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.
Filosofar não apenas com a razão, mas também com o corpo. A partir dessa máxima lança-se a filosofia de Schopenhauer, crítica ao pensamento de Hegel e Kant, filósofos que presos a modernidade – a qual Schopenhauer rompe – buscam sistematizar as coisas do mundo de modo a supervalorizar a razão.
Schopenhauer, por outro lado, busca uma valorização do corpo, das coisas do mundo, da irracionalidade e, principalmente, da Vontade como regente. Se antes, com Kant, a moral era esclarecedora, para Schopenhauer isso nada mais era que uma opressão metafísica que deseja controlar as vontades. Os filósofos da modernidade teriam dado a ciência uma posição da qual ela não tem.

Dessa forma, o filósofo deseja colocar o homem no seu devido lugar, desce-lo do pedestal do qual a razão e o iluminismo o colocou. As ideias de felicidade, igualdade, fraternidade e liberdade plenas cairiam por terra pois nada no mundo assim poderia ser. O homem não é senhor de todas as coisas. Uma catástrofe poderia acontecer e a raça humana extinguir-se, e mesmo assim o mundo aqui continuará. Por que achar que somos capazes de mencionar a vida?

O ímpeto cego, conceito do filósofo, é justamente essa ideia de algo acima do humano. Essa vontade, cega, violenta, que não respeita as vontades individuais, sendo assim impossível a ideia de ordem e plenitude. Inevitavelmente não seremos felizes na plenitude e passaremos por momentos de caos. A utopia racionalista é destruída.
Para ele, “pessimista” – como alguns o intitulam – não há solução. Temos que lidar com as coisas como se apresentam para nós (não há nada de pessimista nisso, o mundo nos oferece inúmeras possibilidades, pra que procurar fora daqui?). A aceitação de que tudo na vida é transitório, de que tudo muda o tempo todo e que não controlamos a vida são o mais próximo da solução. Ora, é importante, dessa forma, fazer planos? É importante ter vontades individuais? Sim, aceitando que seus planos podem ser frustrados por não ser o homem o regente da natureza, por estar as vontades individuais abaixo da vontade universal.

Assim, Schopenhauer irá se aproximar da filosofia budista, ética a medida que não estabelece uma entidade metafísica sua vida pós terra, aceita a vida como ela é. Contudo o filósofo nega aceitar o modo de vida da religião dita, dizendo estar na Arte a consolação da alma.
Termino o texto – para que finalmente cheguemos a lista – com uma citação do filósofo:
“Imaginemos, por um instante, que a humanidade fosse transportada a um país utópico, onde os pombos voem já assados, onde todo o alimento cresça do solo espontaneamente, onde cada homem encontre sua amada ideal e a conquiste sem qualquer dificuldade (…) Ora, nesse país, muitos homens morreriam de tédio ou se enforcariam nos galhos das árvores, enquanto outros se dedicariam a lutar entre si, a se estrangular, a se assassinar uns aos outros”

É Justamente as dificuldades, o caos e o rompimento com estes, traz ao ser humano um sentido.

Melancolia
 
Direção: Lars Von Trier
País: Dinamarca
O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire.
Dodeskaden

Direção: Akira Kurosawa
País: Japão

Por sua luz e suas imagens, este, que é o primeiro filme em cores de Korusawa, foi comparado à pintura de Mondrian e do primeiro Kandinski. Uma comovente crônica sobre o cotidiano de uma favela de Tóquio, com episódios e personagens que se entrelaçam. Entre eles, o menino que mendiga, nos fundos de um restaurante, o alimento para ele e seu pai juntos visualizam a casa de seus sonhos, a tímida jovem que faz flores artificiais para sustentar o padrasto alcoólatra, o “maquinista” de um imaginário trem, que imita o som(Dodes’ka- Den…Dodes’ka- Den…) das rodas sobre os trilhos. Tudo à margem da metrópole, que mesmo invisível, sufoca essas vidas excluídas.

Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera
Direção: Kim Ki Duk
País: Coréia do Sul
Ninguém é indiferente ao poder das quatro estações e de seu ciclo anual de nascimento, crescimento e declínio. Nem mesmo os dois monges que compartilham a solidão, em um lago rodeado por montanhas. Assim como as estações, cada aspecto de suas vidas é introduzido com uma intensidade que conduz ambos a uma grande espiritualidade e a tragédia. Eles também estão impossibilitados de escapar da roda da vida, dos desejos, sofrimentos e paixões que cercam cada um de nós. Sobre os olhos atentos do velho monge vemos a experiência da perda da inocência do jovem monge, o despertar para o amor quando uma mulher entra em sua vida, o poder letal do ciúme e da obsessão, o preço do perdão, o esclarecimento das experiências. Assim como as estações vão continuar mudando até o final dos tempos, na indecisão entre o agora e o eterno, a solidão será sempre uma casa para o espírito.
Ladrões de Bicicleta
Direção: Vitorio de Sica
País: Itália
A história se passa logo após a Segunda Grande Guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego, de colador cartazes na rua, lhe pedia como obrigação uma bicicleta. Ricci e sua mulher Maria conseguem um dinheiro para uma, possibilitando que ele realize o seu trabalho. Há também o menino Bruno, filho do casal. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhes foi roubada, quando Ricci trabalhava apenas em seu primeiro dia.
Limite

Direção: Mario Peixoto
País: Brasil
Um tema, uma situação e três histórias. O tema, a ânsia do homem pelo infinito, seu clamor e sua derrota. A situação, um barco perdido no oceano com três náufragos – um homem e duas mulheres. As três histórias são aquelas que os personagens mutuamente se contam. Na situação se esboça o tema que as três histórias desenvolvem. A tragédia cósmica se passa no barco. E para ele convergem as histórias.

Noites de Cabíria

Direção: Federico Fellini
País: Itália
Uma prostituta procura, incansavelmente, seu verdadeiro amor nas ruas de Roma. Após muitas decepções, encontra o pretendente dos sonhos no local e hora mais inapropriados.

Blade Runner

Direção: Ridley Scott

País: EUANo início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.

Viver

Direção: Akira Kurosawa
País: JapãoBurocrata de longa data, que não liga para nada que não o interessa, descobre que está com câncer. Decide, então, construir um playground em seu bairro, tentando descobrir um sentido para sua vida.

Não Amarás

 

Direção:Krzysztof Kieslowski
País: PolôniaJovem de 19 anos munido de uma luneta começa a observar a vida da sua vizinha (uma mulher madura), que mora defronte ao seu apartamento. Ele fica obcecado por ela e enquanto observa sua vida sexual (na qual o amor não existe), ele esquematiza subterfúgios para se aproximar dela. Com o tempo ele revela seu amor, mas ela o humilha e algo surpreendente acontece nesta relação.

Contos da Lua Vaga

Direção: Kenji Mizoguchi
País: JapãoDurante a guerra civil japonesa, no século 16, o pobre oleiro Genjuro e seu cunhado Tobei viajam com as respectivas mulheres à capital da província onde vivem, nas redondezas do lago Biwa, para vender utensílios de cerâmica. Com as vendas, Tobei compra armas e se torna samurai, abandonando a esposa. Genjuro, por sua vez, acaba passando vários dias no castelo da misteriosa Lady Wakasa, quando vai entregar as mercadorias.

Elena

Direção: Petra Costa
País: Brasil

Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar. Deixa Petra, a irmã de sete anos. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas. Filmes caseiros, recortes de jornal, um diário. Cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos. E acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.

Oharu – A Vida de uma Cortesã

Direção: Kenji Mizoguchi
País: JapãoBaseado em romance de Saikaku Ihara, o filme conta a história da vida de Oharu, uma mulher que na juventude fazia parte da corte do imperador e que em virtude de um relacionamento acaba como pedinte e cortesã, já senhora.
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