A vida é simples, somos nós que nos esforçamos para complicá-la. Um dos nossos maiores problemas é que resistimos a viver no presente, por isso estamos sempre abrigando o passado e o futuro. Quando nos acontecem coisas boas, não as desfrutamos plenamente, porque continuamos a nos preocupar com o futuro e quando nos acontecem coisas negativas temos a tendência de negá-las, como se assim pudéssemos fazê-las desaparecer.

Estar ausente e negar a realidade torna os problemas ainda piores e muitas vezes nos impede de lidar com a adversidade de forma eficaz, pois não somos objetivos o suficiente. Praticar a aceitação radical é um grande passo em direção ao nosso bem-estar. E podemos começar precisamente com algumas verdades da vida que são difíceis de aceitar, mas quando finalmente entendermos, elas terão um efeito libertador.

O que negamos, nos submete

1. Pessoas entram e saem de nossas vidas

Cada pessoa tem o seu caminho, às vezes temos a sorte de nos encontrarmos há muito tempo, outras vezes esse tempo não parece suficiente. Embora nos dói assumir, a verdade é que as pessoas entrarão e sairão constantemente de nossas vidas, e nós faremos o mesmo.

É triste, especialmente quando temos uma ligação especial com alguém, mas “deixar ir” é uma das aprendizagens mais complexas que devemos enfrentar na vida. Às vezes as pessoas voltam, outras vezes vão embora para sempre, o importante é aproveitar os momentos maravilhosos que podemos passar com elas. Quando existe um vínculo emocional muito forte, o tempo nunca será suficiente, mas ter a certeza de que desfrutamos esse relacionamento ao máximo é um grande bálsamo para curar a ausência.

2. Aprenda a cuidar de si mesmo, ninguém mais pode fazer isso por você

Precisamos da ajuda de outras pessoas, principalmente em tempos difíceis, mas a verdade é que quando ocorrem feridas emocionais, só nós podemos curá-las. As pessoas que nos acompanham podem dar-nos ânimo e conforto, mas somos nós que teremos de encontrar forças para seguir em frente.

Isso significa que devemos prestar mais atenção e não negligenciar aquela criança que vive dentro de nós. Uma excelente estratégia é praticar a meditação do espelho. Durante os primeiros minutos nada acontecerá, mas se você persistir, aos poucos começará a olhar aquela pessoa no espelho de uma maneira diferente.

3. Se você quer algo, você deve dar algo em troca

Vivemos em uma época de gratificação instantânea, mas a verdade é que as coisas que valem a pena sempre exigiram uma dose de risco e sacrifício. E isso não mudou. Se você realmente deseja algo, se tem um sonho, terá que lutar por isso. Muitas vezes, isso significa que você terá que desistir de algo.

Cada decisão envolve seguir um caminho e descartar o resto, o que significa que você terá que desistir de outras coisas. Fingir ter tudo é uma atitude infantil e irreal que leva à frustração. Portanto, só nos resta decidir se esse sacrifício vale a pena, decidir o que estamos dispostos a dar para obter algo.

4. Você não pode fugir da dor

A vida abrange todos os extremos: amor e ódio, saúde e doença, ganho e perda. Não podemos viver em uma bolha, fingindo estar a salvo da dor, do sofrimento e da decepção, porque isso implica que não estamos vivendo.

De certa forma, as emoções dolorosas nos purificam e nos tornam mais humanos, devolvem nossa mortalidade e, em muitos casos, até nos permitem desenvolver uma perspectiva mais equilibrada de vida. Claro que ninguém quer sofrer, mas como a adversidade vai acabar batendo à nossa porta, o mais sensato é presumir o que aconteceu e tentar juntar os pedaços quebrados o mais rápido possível.

5. Os laços que o confortam são os mesmos que o prendem

Ao longo da vida mantemos relacionamentos muito especiais, estabelecemos vínculos que nos confortam e nos fazem sentir seguros. Podem ser nossos pais, companheiros, amigos … Saber que eles estão ali nos dá uma agradável sensação de tranquilidade. No entanto, os mesmos laços que nos confortam nos prendem. É uma realidade difícil de aceitar.

O apego é uma das principais causas do sofrimento e pode se tornar uma barreira para atingirmos nosso potencial pleno. Na verdade, quando os laços emocionais deixam de ser reconfortantes e se tornam muito apertados, eles se tornam um problema. Devemos encontrar um equilíbrio, para que possamos desenvolver vínculos maduros onde ninguém se sinta dono do outro e cada um tenha a maior liberdade possível para ser e tomar suas decisões.

6. A segurança é uma ilusão

Passamos grande parte de nossas vidas buscando segurança, tentando valorizá-la como se fosse algo que pudéssemos trancar com segurança. Pensar em segurança e estabilidade nos conforta e nos permite amenizar as incertezas do futuro. No entanto, embora seja verdade que precisamos de um certo grau de estabilidade e segurança, não é menos verdade que a maioria das coisas que consideramos certas pode desaparecer em muito pouco tempo.

Entender que a segurança é uma ilusão, mais ou menos intensa dependendo de cada pessoa, é extremamente libertadora porque nos permitirá deixar de nos apegar às coisas e às pessoas, para aprender a desfrutá-las verdadeiramente. Saber que o que temos hoje pode não estar amanhã, permite-nos valorizá-lo muito mais e, sobretudo, sentir-nos mais satisfeitos e felizes aqui e agora.

7. A vida não é justa ou injusta

A vida é apenas vida, é um fluxo contínuo onde tudo está em permanente mudança. A vida não é justa nem injusta, são rótulos que colocamos de acordo com as nossas expectativas, de acordo com o que acreditamos merecer ou não. Portanto, é totalmente inútil pensar que a vida não nos recompensou como deveria, porque isso só vai gerar um profundo sentimento de insatisfação e pode até criar a base de um desamparo aprendido .

A vida é preciosa, com períodos melhores e piores, devemos estar preparados para aproveitar os bons momentos e enfrentar os momentos difíceis. Fazer julgamentos de valor não acrescentará nada construtivo à situação.

Adaptado de Rincón de la Psicología

Créditos da imagem: lahamag.com

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