Tem um detalhe curioso sobre o cérebro: ele não “ouve” suas frases como se fossem só palavras soltas. Ele trata parte do que você diz (principalmente sobre você mesmo) como informação de risco ou de segurança.
E é por isso que aquele tipo de fala repetitiva — “eu sou péssimo nisso”, “vai dar errado”, “eu nunca consigo” — tende a puxar o corpo inteiro para o modo alerta, mesmo quando nada urgente está acontecendo de verdade.
Foi nessa linha que o médico brasileiro Dr. Juan Lambert publicou um vídeo recente nas redes falando do “poder” que frases negativas têm no cérebro e provocando a troca por palavras afirmativas.

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O que esse “antes e depois” quer dizer, na prática? Não é um “cérebro novo” do dia para a noite, e sim mudança de padrão de ativação: quais áreas entram em cena, com que intensidade, e qual rede fica no comando.
Quando você martela frases negativas, a tendência é reforçar um circuito de ameaça. A amígdala, que participa da detecção de perigo e aciona respostas de estresse, costuma aumentar atividade quando a pessoa entra em contato com estímulos emocionais.

Já para regular isso, o cérebro chama o córtex pré-frontal, ligado a linguagem, planejamento e controle emocional.
Em pesquisas sobre regulação emocional, quando a pessoa muda o jeito de interpretar uma situação, áreas do pré-frontal “baixam o volume” da amígdala.
Palavras afirmativas (do tipo “eu dou conta”, “eu consigo aprender”, “eu posso melhorar”) entram como uma ferramenta de reinterpretação e auto-orientação.

Em estudos de neuroimagem sobre autoafirmação, tarefas que fazem a pessoa refletir sobre valores pessoais e sentido de futuro se associam a maior atividade em sistemas cerebrais ligados a valorização/recompensa (como estriado ventral e córtex pré-frontal ventromedial) e a processamento autorreferente (como regiões do córtex pré-frontal medial e cíngulo posterior), além de áreas relacionadas a regulação emocional.
Um ponto importante: falar “positivo” não significa virar um robô otimista. O cérebro percebe quando a frase é forçada.
A ideia mais útil é trocar o ataque direto (“eu sou um lixo”) por linguagem que mantenha o pé no chão e abra espaço para ação (“eu tô travado agora, mas consigo dar o próximo passo”). Essa diferença muda o tipo de conversa interna: sai do rótulo e vai para comportamento, estratégia, treino.

Tem evidência também de que o tipo de self-talk altera conectividade funcional no cérebro. Um estudo com fMRI comparou condições de auto-respeito e autocrítica e encontrou modulações diferentes em redes associadas a desempenho cognitivo e motivação, incluindo mudanças de conectividade envolvendo o núcleo accumbens (um hub ligado a recompensa/motivação).
Se você quiser testar o “antes e depois” no dia a dia, sem misticismo e sem teatrinho, dá para começar com trocas simples:
- Corte frases absolutas (“sempre”, “nunca”) e substitua por “agora” e “ainda”: “eu nunca consigo” → “eu ainda não peguei o jeito”.
- Troque rótulo por processo: “sou ansioso” → “meu corpo entrou em alerta; vou reduzir a marcha por 2 minutos”.
- Use linguagem de treino: “eu sou ruim nisso” → “eu tô no início; vou fazer 10 tentativas e ajustar”.
- Afirmativas com lastro (mais críveis): “eu sou capaz” vira “eu consigo dar um passo pequeno hoje e repetir amanhã”.
Quando vier a autocrítica, responda como responderia a um amigo competente: direto, sem humilhar — porque humilhação não melhora raciocínio nem decisão.
Essa é a base do “antes e depois” que o Dr. Juan Lambert aponta no vídeo: não é mágica, é padrão mental repetido virando padrão neural — e linguagem é um dos jeitos mais rápidos de mexer nesse padrão.
Assista ao vídeo aqui.
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