Comprar figurinhas da Copa sempre fez parte da expectativa de muitos torcedores. Para algumas famílias, o álbum vira uma tradição: pais, filhos, amigos e colecionadores se reúnem para trocar repetidas, procurar raridades e completar cada seleção.
Mas, com a aproximação do Mundial, essa paixão também acendeu um alerta para os consumidores.
Segundo levantamento do Procon-SP, figurinhas e álbuns da Copa do Mundo passaram a liderar as reclamações registradas em maio. Foram 521 queixas relacionadas à compra, venda ou troca desses produtos, dentro de um total de 708 registros ligados ao evento esportivo.
O número chama atenção quando comparado aos meses anteriores. Em abril, foram 34 reclamações sobre itens colecionáveis. Em março, as demandas relacionadas à Copa ainda eram bem menores, com 19 registros.
O alerta que veio com a procura
Com o aumento do interesse por produtos da Copa, também cresceu a movimentação em lojas virtuais, marketplaces, redes sociais e aplicativos de mensagens.
É justamente nesse ambiente digital que muitos problemas aparecem. De acordo com os relatos encaminhados ao Procon-SP, consumidores enfrentaram atraso na entrega, produtos que não chegaram, cobranças indevidas, dificuldade de reembolso e divergência entre o que foi anunciado e o que foi entregue.
Em alguns casos, também surgiram reclamações sobre vendedores sem identificação clara, anúncios com informações insuficientes e produtos sem procedência comprovada.
Onde mora o risco para o consumidor
A busca por figurinhas raras, edições limitadas ou pacotes com preço abaixo do mercado pode aumentar a exposição a golpes e práticas irregulares.
O problema é que, muitas vezes, a compra acontece de forma rápida, por impulso ou com base apenas em uma publicação nas redes sociais. Sem conferir a reputação do vendedor, o consumidor pode acabar pagando por um produto que não será entregue ou que não corresponde ao anúncio.
Por isso, o Procon-SP orienta que a pessoa verifique a procedência dos itens, pesquise o histórico do vendedor e confirme se há canais reais de atendimento antes de concluir a compra.
Comprar pela internet exige mais atenção
Nas compras online, alguns cuidados simples podem evitar prejuízos.
Antes de pagar, é importante verificar se a empresa possui CNPJ, endereço, canal de atendimento e informações claras sobre prazo de entrega, troca e devolução.
Também é recomendável desconfiar de preços muito abaixo do valor normalmente praticado. Embora promoções possam existir, ofertas excessivamente vantajosas, especialmente em produtos muito procurados, merecem atenção redobrada.
Outro ponto importante é guardar todos os registros da negociação: prints do anúncio, comprovantes de pagamento, conversas com o vendedor, número do pedido e informações sobre o prazo prometido.
Esses documentos podem ajudar caso seja necessário registrar reclamação ou demonstrar que a oferta não foi cumprida.
Quando a compra não sai como esperado
Se o produto não for entregue, chegar diferente do anunciado ou houver dificuldade de contato com o vendedor, o consumidor pode tentar resolver primeiro diretamente com o fornecedor, preferencialmente por um canal que deixe registro.
Caso não haja resposta ou solução adequada, é possível buscar orientação nos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
O mais importante é não apagar conversas, comprovantes ou anúncios. Em situações de consumo, a documentação costuma ser essencial para compreender o caso e buscar uma solução adequada.
A explicação da advogada
Segundo a advogada Nara Rúbia Ribeiro, situações como essa mostram que o consumidor precisa ter atenção antes, durante e depois da compra.
“Quando uma pessoa compra um produto, ela tem direito a receber informações claras sobre preço, prazo, características e condições da oferta. Se o item não chega, chega diferente do anunciado ou o vendedor desaparece após o pagamento, é importante reunir todos os comprovantes e buscar orientação pelos canais adequados. Cada caso deve ser analisado individualmente, mas conhecer os próprios direitos ajuda o consumidor a agir com mais segurança”, explica.
A orientação não significa que todo problema gere automaticamente uma indenização ou uma ação judicial. Antes disso, é necessário analisar os documentos, a forma da compra, a conduta do vendedor e as tentativas de solução.
Informação antes do prejuízo
A febre das figurinhas pode continuar sendo uma experiência divertida, mas o cuidado precisa acompanhar o entusiasmo.
Antes de comprar, vale pesquisar, comparar, conferir a procedência e desconfiar de negociações sem transparência.
Em tempos de grande procura por produtos temáticos, a informação continua sendo uma das melhores formas de evitar dor de cabeça.
ALERTAS PRÁTICOS AO LEITOR
- Pesquise a reputação da loja ou vendedor antes de comprar.
- Verifique se há CNPJ, endereço e canal de atendimento.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado.
- Evite negociações feitas apenas por aplicativos de mensagens.
- Guarde prints do anúncio, conversas e comprovantes.
- Confira prazo de entrega, política de troca e reembolso.
- Verifique se o produto tem procedência clara.
- Tenha cuidado especial com figurinhas raras, edições limitadas e ofertas muito vantajosas.
COMO A PESSOA PODE AGIR
Se a compra apresentar problema, o consumidor pode adotar alguns passos:
- Reunir comprovantes, prints, conversas e anúncios.
- Tentar contato formal com o vendedor ou empresa.
- Solicitar solução por escrito, sempre que possível.
- Registrar protocolos de atendimento.
- Buscar orientação no Procon ou em órgão de defesa do consumidor.
- Em caso de dúvida sobre uma situação específica, procurar orientação jurídica individualizada.
Essas medidas são gerais e não substituem a análise de cada caso concreto.
A ADVOGADA NARA RÚBIA RIBEIRO EXPLICA
Segundo a advogada Nara Rúbia Ribeiro, o consumidor não deve tratar compras online como algo sem consequência apenas por envolver produtos simples ou de baixo valor.
“Mesmo quando a compra envolve figurinhas, álbum ou itens colecionáveis, existe uma relação de consumo. Isso significa que a oferta precisa ser clara e o fornecedor deve cumprir o que foi anunciado. Se houver atraso, produto diferente, cobrança indevida ou ausência de resposta, o consumidor deve guardar provas e buscar os canais adequados. A análise sempre depende do caso concreto, mas a informação correta evita decisões precipitadas e ajuda a proteger o consumidor”, esclarece.


