As armadilhas do ego impedem nossa felicidade. Esta essência do nosso ser nunca está satisfeita. Ela nos anestesia com suas demandas, seus medos e suas dicas. Isso nos leva a um apego louco para nos colocar em uma zona de conforto eterno onde nada acontece. Devemos ser capazes de limpar o ego para torná-lo aquele extraordinário tendão psíquico que promove nossa liberdade.

Muitas vezes nos perdemos nas definições quando falamos sobre essa dimensão psicológica. Sigmund Freud definiu o ego como a entidade que é forçada a negociar quase diariamente com impulsos e normas sociais. É também essa estrutura que pode ser racionalizada e equilibrada através do trabalho pessoal. Como Eckhart Tolle diz , a coisa muda um pouco se nos movermos agora para abordagens orientais ou espirituais.

Neste último caso, o ego é um tipo de autoconsciência insalubre magnetizada pelo egoísmo. É essa força interior que precisamos saber controlar, educar e redirecionar.

Não obstante, tanto na abordagem freudiana como na nuançada pelas filosofias orientais, existe um eixo comum sobre o qual podemos confiar. É sobre a necessidade de educá-lo, mudar seus impulsos e remover este filme insalubre para torná-lo algo mais brilhante, mais útil e sintonizado com o nosso desenvolvimento pessoal.

Conhecer as armadilhas do ego é, sem dúvida, o limiar a partir do qual tomar consciência de muitas das suas dinâmicas. Vamos descobrir essas armadilhas abaixo.

“Seu ego pode se tornar um obstáculo para o seu trabalho. Se você começa a acreditar na sua grandeza, é a morte da sua criatividade. “
-Marina Abramovic-

As armadilhas do ego
A chave para o bem-estar, que promove a auto-realização e um sentimento genuíno de felicidade, é o equilíbrio. Alguns, portanto, arriscam dizer que não existe tal coisa como colocar o “regime” do ego para alcançá-lo.

Devemos fazer com ele a mesma coisa que fazemos com nossa comida. Muitas vezes seguimos dietas inadequadas onde as gorduras saturadas acabam nos inflamando e inchando. Então, em vez de ficarmos satisfeitos, estamos com mais sede e fome.

A mesma coisa acontece com o ego. O desejo de elogio, reconhecimento, aprovação ou poder gera uma falsa auto-estima que está sempre com fome. Aquele que acaba se esvaziando. Devemos produzir músculos, devemos exercitar nossos valores psicológicos por meio da humildade, determinação e flexibilidade psicológica. Portanto, é essencial identificar as armadilhas do ego tão recorrentes entre muitos de nós.

1. O desejo de estar sempre certo
Algumas pessoas são assim. Elas não se importam que a evidência seja tão forte quanto um prédio de dez andares. Algumas pessoas sempre querem ter a verdade a seu favor, em qualquer circunstância e em qualquer momento ou condição. Elas não hesitam em implantar as mais variadas dicas (e prejudiciais) para sempre inclinar a balança do seu lado.

O ego, sob tais circunstâncias, pesa demais e não ajuda ninguém. Esta é uma armadilha de urso que devemos aprender a reconhecer e delimitar.

2. Por que os outros não agem como eu desejo e espero?
Todos nós já temos mais ou menos essa sensação. Que de desespero para ver que as pessoas que valorizamos não fazem o que queremos ou se comportam como desejamos. Querer que aqueles que compõem nossos círculos mais próximos sempre atuem como desejamos, não é apenas uma das armadilhas do ego. É também uma fonte de sofrimento.

O ideal, nesses casos, não é nos condicionar, nos limitar a ser e deixar de ser. De fato, respeitar e até mesmo apreciar que os outros ajam de acordo com seus princípios e desejos é um ato de respeito e desenvolvimento pessoal.

3. O sentimento constante de falta
Se eu tivesse uma casa maior, ficaria feliz. Se eu pudesse economizar um pouco mais, eu poderia comprar o celular que acabou de lançar essa marca. Se eu tivesse um cônjuge amoroso e prestativo, a vida seria perfeita …

Se olharmos bem, o sentimento de falta está presente em grande parte da nossa sociedade. Nós nunca nos sentimos completos ou satisfeitos. Sempre falta alguma coisa, sempre precisamos desse detalhe que nos ofereceria uma felicidade incomensurável se o tivéssemos. No entanto, a satisfação torna-se obsoleta quando atingimos o objetivo, de modo que colocamos nossas esperanças em outra coisa, outra dimensão, outra pessoa.

4. A necessidade de aprovação
Todos nós precisamos nos sentir aceitos. Nós finalmente evoluímos em contextos sociais onde a coabitação é sempre mais fluida e significativa se nos aceitarmos mutuamente. No entanto, como indicamos anteriormente, a chave está no equilíbrio. Sentir-se aceito é uma coisa boa. Nós tentamos sempre obter a aprovação dos outros, no entanto, não é muito benéfico. Tal atitude coloca correntes em nossa liberdade e realização pessoal.

O ego e sua necessidade de reconhecimento às vezes precisam ser colocados em uma dieta. Ele deve perder peso suficiente para tomar decisões sem permissão de ninguém.

5. Sentir-se inferior (ou superior) aos outros
As armadilhas do ego não são atraídas apenas pelo abuso. Pelo narcisismo de quem quer mais, quem acredita mais do que ninguém ou precisa mais do que ninguém. Essas armadilhas do nosso crescimento pessoal também consistem em sentimentos de falta.

Sentir-se inferior aos outros, acreditando que todos os nossos esforços são em vão, enquanto outros são superiores a nós em tudo, também nos leva ao sofrimento. Egos anoréxicos também deixam a mente doente, eles nos limitam e nos transformam em sombras embaçadas.

Nunca devemos esquecer que a integridade pessoal também exige que o ego seja capaz de se proteger, mas sem cair em excesso. Precisamos de uma auto-estima centrada e forte que saiba validar e gerar respeito pelos outros.

Para concluir, as armadilhas do ego são aquelas armadilhas nas quais muitas vezes deixamos muita dignidade e auto-estima. É sobre esse homenzinho que mora em nós e que gosta de nos envenenar com falsas necessidades, com o constante boato de que eu quero isso, eu sinto falta disso, eu não suporto isso, eu odeio isso …

Vamos aprender como silenciar essa voz irritante. Nós administraremos dia a dia para identificar um pouco melhor suas artimanhas a fim de reajustar sua dinâmica e fazê-las jogar a nosso favor. O ego nunca deveria ser um obstáculo. Ele deve ser aquele aliado humilde, sábio e concentrado que nos ajuda a crescer um pouco mais a cada dia.

 

Artigo original em francês no site NosPensées

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