Camille Paglia, professora e escritora norte-americana, analisa o diálogo entre gêneros enquanto motor da civilização. A partir de sua polêmica frase, “se a civilização tivesse sido deixada nas mãos de mulheres, ainda viveríamos em casas de palha”, Paglia defende que as grandes obras arquitetônicas e ferramentas para tais construções são fruto de um pensamento masculino.

Assista ao vídeo (legendado) ou leia a transcrição logo abaixo:

“Uma das minhas mais famosas frases foi: Se a civilização tivesse sido deixada nas mãos das mulheres, nó ainda viveríamos em cabanas de palha”
O que eu quis dizer com isso é que ainda viveríamos na natureza, usaríamos materiais perecíveis de palha, e gravetos, e madeira, que é o homem, com sua ambição de deixar a mulher, de criar permanência, que nos deu toda a história da arquitetura, enormes e pomposos edifícios de pedra, arranha-céus que explodem no céu e, como a Torre de Babel, competem com o poder de Deus.

Acho que tenho estudado história, muitas das grandes conquistas da civilização vem da fuga dos homens em relação às mulheres, que os homens devem lutar para estabelecer uma identidade separada de suas mães. Isso é uma saga, uma guerra, com a qual muitas feministas não são simpáticas.

Acho que, a não ser que os homens tentem escapar dos domínios da mulher, eles simplesmente caem de volta para ela. O poder da mulher é enorme. Cheguei a essa conclusão estudando antropologia, os rituais que o mundo masculino costumava a ter para marcar o momento em que um menino virava homem, quando o menino deixa os domínios da mãe.

Mesmo nos EUA, hoje, podemos ver jovens mães levando seus filhos ao banheiro feminino até certa idade, o menino é considerado sexualmente neutro de certa forma, até o ponto em que ele é grande o suficiente para ir ao banheiro masculino.
Isso marca o momento quando, em tribos antigas, os homens sequestravam os meninos dos alojamentos femininos e o submetiam a um ritual de passagem punitivo. Ele seria jogado em um poço, forçado a vagar, a matar animais com as próprias mãos, seu corpo seria marcado…

É muito difícil ser homem, muito, muito difícil. De certa forma, ser homem é ser algo separado da mulher, então acho que a resposta de por que não haver grandes mulheres artistas, da dimensão de um Michelangelo ou de um Picasso, acredito que a resposta não seja simplesmente que a mulher tenha sido impedida de estudar determinadas disciplinas, mas que a busca compulsiva por conquistas que vemos nesses artistas gigantescos, vem de uma sensação de ansiedade, essa necessidade de proteção, vem de uma necessidade de esculpir a si mesmo como algo separado do poder da mãe, que irá simplesmente sugar o menino de volta para seu domínio de criação.

Via Fronteira do Pensamento 

Canal do Fronteira do Pensamento no Youtube

 

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Pensar Contemporâneo
Um espaço destinado a registrar e difundir o pensar dos nossos dias.