O entregador Luciano de Oliveira Rosa trabalha como entregador há mais de uma década, mas jamais enfrentou tantas dificuldades econômicas e estruturais quanto agora.

“O custo de vida aumentou muito. Até então, eu nunca passei fome antes da pandemia… Hoje em dia, eu passo”, disse.

Luciano trabalha como entregador em São Paulo há mais de 10 anos. De 2015 pra cá, a inflação disparou – e o que ele ganha passou a valer muito menos.

“É uma profissão invisível. Ninguém sabe o que a gente passa na rua”, desabafou o entregador.

Luciano trabalha quatro horas a mais todos os dias. Mesmo assim, às vezes precisa dormir na rua para economizar.

“Dormir na rua é dormir com a sorte… Até os cachorros mijam na gente. Aqui eu fui roubado, tomei 3 tiros. É complicado”, desabafou.

Luciano corre esse risco para economizar com o combustível. “O que mais quebra as pernas é o percurso para ir trabalhar. São 33km para ir, 33km para voltar. Ou eu durmo na rua para economizar, ou eu passo fome. Para piorar, os aplicativos baixaram o valor da entrega: tem entrega de até R$ 4,50. É a vida de um motoqueiro, o que ela vale: 4 reais e 50 centavos”.

Os aplicativos negam ter reduzido o valor pago aos entregadores. Enquanto isso, para Luciano, cada dia é uma batalha.

Ele enfrenta longas filas diárias para pegar sopa em uma ONG.

“Começaram a aparecer muitas famílias que não puderam pagar seu aluguel e terminaram vindo pra rua. E temos pessoas que, para não estarem indo e vindo, terminam ficando e dormindo nas calçadas”, disse Robson Cesar Correia, funcionário de uma ONG que atua na capital paulista.

Segundo um levantamento recente checado pela BBC Brasil, 15,5% dos brasileiros passam fome. Outros 15,2% se alimentam em quantidade e qualidade insuficiente.

A crise da alta do custo de vida virou tema da campanha eleitoral, que segue em curso até o próximo dia 30 de outubro.

Para Luciano, as decisões tomadas até aqui pelo governo federal e pelos governos estaduais é insuficiente para ajudar a população mais carente.

Todo mês, ele manda dinheiro para sustentar o filho, ‘Davizinho’, que mora a 3 mil quilômetros dele.

“Faz anos que eu não o vejo. Quando falo do meu filho, eu me emociono. Me dói. Eu faço tudo por ele”.

Por isso, Luciano continua a lutar: enfrenta o trânsito paulistano todos os dias, e, às vezes, o chão das calçadas.

Assista à reportagem:

Leia também: Mulher abandonada no altar pelo noivo decide ignorar trauma e se diverte com convidados

Leia também: Mário Sergio Cortella: A desigualdade também é problema seu!

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Fonte: BBC

RECOMENDAMOS