Foto: Reprodução/TV Globo
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Carla Guerra, infectologista que acompanhou o caso da primeira vítima fatal do coronavírus, em entrevista à BBC, faz um apelo para que todos permaneçam em suas casas. “Estamos muito preocupados. Reforcem as medidas de proteção e se cuidem”.

A primeira vítima de morte do novo coronavírus, que não teve a identidade revelada, sofria de diabetes e hipertensão. O paciente de 62 anos sentiu os primeiros sintomas da Covid-19 em dez de março.

O que se apurou é que ele não tinha hístórico de viagens recentes ao exterior e sequer havia tido contato com qualquer outro paciente doente. Dessa forma, o caso dele é considerado transmissão comunitária.

O homem morava na capital paulista. São Paulo é o estado com mais registros do novo coronavírus no Brasil: até esta terça-feira eram 164 casos confirmados — em todo o país são 314.

Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sancta Maggiore, no bairro do Paraíso. Na mesma unidade, segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, há outras quatro mortes de idosos suspeitas de coronavírus — os exames ainda não foram concluídos.

“Apesar de não termos o resultado antes, considerávamos o caso dele suspeito para o novo coronavírus desde que ele deu entrada no hospital”, explica Guerra, que acompanhou o paciente desde a entrada dele na unidade de saúde.

O homem era considerado caso suspeito para novo coronavírus por apresentar sintomas como febre alta, tosse e problemas respiratórios.

Permaneçam em suas casas

Desde o primeiro atendimento, segundo Guerra, toda a equipe médica que acompanhou o paciente adotou os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) orientados pelo Ministério da Saúde: gorro, máscara N95, luvas, aventais descartáveis e óculos protetores.

Ele chegou com sintomas considerados leves. Mas logo se agravaram e foi encaminhado para a UTI.

As doenças que ele já possuía colaboraram para agravar o estado de saúde e levá-lo à morte. Os parentes dele, ao menos até o momento, não apresentaram sintomas do novo coronavírus, porém serão monitorados.

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo orientou que o enterro do paciente seja com caixão lacrado. O velório será com restrição para poucas pessoas, apenas as mais próximas.

O corpo não foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), para evitar que mais pessoas possam ser expostas ao vírus. Ele será encaminhado diretamente do hospital para o cemitério.

Após a morte e diante das outras quatro mortes suspeitas de relação com o novo coronavírus, Guerra faz um alerta:

“A única forma de se prevenir dessa epidemia é que todo mundo fique em casa. É importante permanecer em casa, sem nenhum encontro social”, desabafa a infectologista. “Peçam para as empresas fazerem home office. Poupem os idosos de exposições”, declara.

Diante da pandemia, diversos países têm orientado que as pessoas evitem aglomeração, adotem hábitos de higiene para evitar a propagação do vírus e recorram ao distanciamento social, para que se mantenham a cerca de dois metros de distância entre si.

Nesta terça, a Prefeitura de São Paulo declarou estado de emergência na cidade — o decreto permite que a prefeitura tome atitudes emergenciais, como cancelar alvarás de eventos já concedidos, comprar suprimentos a preços diferentes, entre outras medidas.

No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel decretou estado de emergência nesta segunda-feira (16) e recomendou o fechamento de lojas de shoppings, clubes e academias. Os outros Estados brasileiros também adotaram medidas semelhantes para contenção do novo coronavírus.

Para evitar a propagação do vírus, Guerra orienta que as pessoas devem seguir medidas de higienização: lavar as mãos com frequências, usar álcool em gel e evitar aglomerações.

“É preciso reforçar as medidas de proteção pessoal neste momento. Se todo mundo ficar doente ao mesmo tempo, não teremos serviço de saúde para atender à demanda”, afirma.

Com informações do G1

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