Por Sandra Capomaccio / Jornal da USP
Quem mora na cidade de São Paulo vai entender bem a cena que vou descrever. Depois das fortes chuvas e tempestades, é muito comum ver inundação, enchente ou alagamento. A água corre por ruas e calçadas sem destino certo, atrapalhando o fluxo da cidade. Seja com carro ou ônibus e até mesmo a pé. Isso acontece porque as grandes cidades foram impermeabilizadas com asfalto e o solo não consegue mais receber a água da chuva.
Você já ouviu falar em jardins de chuva? Para tentar resolver, ou pelo menos diminuir e controlar o excesso de água da chuva, pesquisadores chegaram a um sistema que recolhe a água em excesso e, de quebra, ainda traz mais verde para a cidade.
O arquiteto e urbanista Lucas Chiconi, pesquisador da História da Habitação Social na América Latina e aluno na pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, explica que “parte da água é absorvida pelo jardim e outra é devolvida para as galerias pluviais”.
O modelo é bem simples e pode ser feito em uma rotatória, por exemplo, ou até mesmo entre a calçada e o asfalto, usando uma faixa do passeio. Esse sistema funciona como um reservatório para o excesso de águas da chuva. Esses reservatórios captam e retêm a água excedente até que ela possa voltar novamente à terra.
Chiconi alerta que a questão dos “ jardins de chuva” é um paliativo e não a solução dos problemas ocasionados pela chuva. É preciso uma agenda de política pública urbana na cidade para a questão das enchentes. Vale lembrar que um jardim de chuva fica seco na maior parte do tempo. Normalmente retém água apenas durante a chuva. Como os jardins pluviais drenam a água em 48 horas, eles evitam a reprodução de mosquitos.
É bom ressaltar que o piscinão é bem diferente dos jardins de chuva justamente porque estes são pequenos espaços, antagônicos aos piscinões, que precisam normalmente de grandes obras.
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