Nessa fala de três minutos o professor Cortella explana sobre os propósito da escrita. Por que as pessoas escrevem? quais necessidades têm alguém de se manifestar pela escrita? E o que dizer de um autor de um único livro?

Assista ao vídeo ou, se preferir, leia a transcrição logo abaixo.

 

“Cada um tem seus motivos na literatura, na escrita. Há pessoas que escrevem para falar com os outros, há pessoas que escrevem para falar consigo mesmo. Há pessoas que escrevem e não mostram, há pessoas que escrevem e mostram em grande quantidade. Há pessoas que quando lançam um livro, chamam bastante gente e há pessoas que querem um pouco mais de pudor e discrição.

Há pessoas que escrevem para chorar por dentro, há pessoas que escrevem para poder dizer o que querem deixar registrado como uma permanência e há pessoas que não escrevem porque acham que não sabem escrever. Há pessoas que não sabem escrever no sentido técnico e que cantam, e que fazem música.

Se você imagina, Nelson Cavaquinho, um dos nossos grande autores da música popular brasileira, um homem que foi capaz quase, quase analfabeto que era, de fazer parte das letras mais belas que a gente tem na MPB. Ele que não passou pela escolarização quase nenhuma e que faz um verso junto com Guilherme de Brito: “Tire o teu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor” .

Imagine Cartola, imagine o Pixinguinha, homens que foram capaz disso. (Aliás, esse verso do grande Nelson cavaquinho e Guilherme de Brito, é usado também em relação a pessoas que praticam a discriminação racial, porque um dos pensadores de São paulo criou uma frase maravilhosa que é: “Tire o seu racismo do caminho que eu quero passar com a minha cor.” Olhe que coisa genial.

Essas coisas que fazem da escrita, do movimento algo que nos encanta. Não é casual que as grandes religiões, as três maiores hoje no planeta em larga escala, que elas tenham como referência um livro, ou um conjunto de livros, biblios. Religiões do livro, o judaísmo, o cristianismo, o islamismo que registra sua história, sua convicção, sua crença. Por ela vive, muitas vezes por ela mata.

Há uma frase antiga que diz : Cuidado com o homem de um único livro.
Cuidado com o homem de um único livro porque ele tem obsessão por aquelas ideias, e isso é perigoso. Uma das coisas boas é exatamente imaginar o quanto que a Literatura se coloca de vários modos.”

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