Por Roberto Debski

Segundo a Dra. Christiane Northrup, médica ginecologista e autora na área da sabedoria do feminino, “A melhor herança de uma mãe a uma filha é ter-se curado como mulher”.

A visão da Consciência Sistêmica desvela as dinâmicas ocultas, sistêmicas e familiares que estão por trás dos relacionamentos disfuncionais e que repetidamente não dão certo.

Muitas famílias têm mulheres que repetem, geração após geração, relacionamentos infelizes, distantes, abusivos ou insatisfatórios.

Elas “escolhem” por ressonância sistêmica, inconscientemente, parceiros que também têm problemas, e só sabem viver esse tipo de relação, a qual não traz satisfação, parceria nem plenitude para o casal e é fonte de sofrimento para as famílias.

Essa relação está fadada ao fracasso e à infelicidade, mesmo que permaneçam juntos a vida inteira.

As filhas ficam sob o campo sistêmico de influência da mãe e seguem os seus modelos de relação, funcional ou disfuncional.

Elas olham para como sua mãe e pai olham para o mundo, e também para como eles, enquanto mulher e homem se relacionam, e assim aprenderão a se relacionar.

Sem perceber ou se dar conta, terão relações parecidas com a de seus pais, repetindo padrões e comportamentos.

Se uma mãe tem questões não resolvidas na relação com sua própria mãe, e/ou com seu pai, se esta vivenciou e testemunhou um modelo disfuncional de relação entre seus pais, provavelmente não estará disponível para uma relação saudável com essa filha, e essa também transmitirá esse modelo adiante para sua própria filha.

Após algumas gerações só entrarão para essa família, por afinidade e ressonância sistêmica, homens fracos que também trazem modelos disfuncionais de suas próprias famílias.

Não é à toa que eles são atraídos para se relacionar com essas mulheres, mas porque também só conhecem essa maneira de se relacionar.

Essa se tornará uma família matriarcal onde os homens não têm papel algum a não ser gerar os filhos, são homens sem poder e excluídos pelas mulheres.

Eles não possuem a Força do masculino e não conseguem ensinar aos seus filhos, aos homens como sê-lo e às mulheres como vê-lo em outros homens que serão seus futuros parceiros.

Quando eles então saem das relações deixando com a mulher os filhos, são acusados de abandono, e se transformam nos culpados do insucesso.

Mas a verdade sistêmica oculta é outra.

Em toda relação, segundo a visão sistêmica, 50% da responsabilidade é de cada um, independente do que aconteceu. Quem abusa e quem é abusado. Quem trai e quem é traído. Quem abandona e quem é abandonado.

As pessoas entram nas relações, na maioria absoluta das vezes, inconscientemente, atraídos pelo parceiro que tem um campo de ressonância muito semelhante e complementar em sua própria família de origem.

É um desafio enxergar e aceitar a própria responsabilidade que lhe cabe quando uma relação não dá certo.

O usual é culpar o parceiro pelo insucesso e permanecer na posição de vítima.

Está instalado o conhecido Triângulo Dramático de Karpman, um modelo simples e eficiente de enxergar a dinâmica oculta das relações, que é oriundo da Análise Transacional.

Nele, os personagens desempenham papéis disfuncionais que se intercambiam, a Vítima, o Acusador e o Salvador.

A Vítima, nesse caso, é a mulher que foi “abandonada”, sem conseguir enxergar seu papel nessa dinâmica que levou ao abandono. O Acusador é o marido que se retirou da relação na qual já era excluído, e ao sair, também por sua própria incapacidade de viver uma relação saudável, o faz cheio de certezas e acusações. O Salvador será o filho ou filha, que permanece no meio do fogo cruzado, pode sofrer alienação parental, e ao tentar por amor ajudar um ou ambos pais, coloca-se numa posição que não lhe cabe, pois segundo a visão sistêmica, o filho sempre é menor e não pode tomar partido de um dos pais.

Se esse filho quiser ser o Salvador na família, assumirá o papel de pai ou mãe de seus pais, o que vai contra a segunda Ordem e Lei do Amor, a Hierarquia. Essa lei diz que os filhos não interferem nos assuntos dos pais, nem se colocam acima deles. Um filho não pode nem deve “salvar” seus pais.

Eles estão nessa dinâmica por sua própria escolha, mesmo que inconsciente, e cabe a eles aprender a sair dela de modo saudável. Não devem delegar a ninguém o papel que somente eles devem desempenhar.

Bert Hellinger já disse que é necessário mais amor para separar do que para se casar.

Se assim não for, as mágoas, ressentimentos, ódio e culpa permanecerão envenenando os ex parceiros e seus filhos, e o sofrimento por todos será inevitável.

Somos chamados e nos são oferecidas oportunidades, em diversos momentos durante nosso caminho de vida, para aprender, crescer e superar as limitações pessoais e transgeracionais que carregamos de nosso sistema familiar.

Se já estivermos preparados, esses encontros podem se transformar em possibilidades de superação e transmutação, para nós e para todo nosso sistema familiar.

Uma mulher que se prepara para uma relação e para ser mãe, ao se tornar consciente desses emaranhamentos familiares poderá olhar de forma sistêmica para eles, e trabalhar em um processo de cura, através da ampliação da consciência, ao vivenciar uma constelação familiar ou um processo terapêutico.

Seja a pessoa que trará ampliação da consciência para sua família, rompendo esse ciclo de repetições e infelicidade.

A partir disso, o caminho para a cura sistêmica se dá.

 

 

 

 

Autor: Roberto Debski
O Dr. Roberto é médico (CRM SP 58806) especialista em Acupuntura, Homeopatia e tem formação em Medicina Ortomolecular. Também é psicólogo (CRP 06/84803), Coach e Trainer em Programação Neuro-Linguistica com certificação Internacional e constelador sistêmico familiar. Acompanhe nossos próximos eventos!
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