A volta do Talibã desperta grande preocupação com o futuro do país, principalmente com a condição das mulheres

“Não contamos porque nascemos no Afeganistão, vamos desaparecer lentamente da história. Ninguém se importa conosco .” Estas são as palavras ditas com dificuldade, em lágrimas, por uma garota afegã após o retorno do Taleban ao país. O vídeo, que se tornou viral, foi divulgado via Twitter pela jornalista iraniana Masih Alinejad.

O retorno do Talibã suscita grande preocupação com o futuro do Afeganistão , especialmente com as condições das mulheres que, com a queda do regime islâmico em 2001, dificilmente conquistaram alguns direitos importantes.

Afeganistão não viverá ‘maior inclusão’, como prometeu o Talibã, diz professor à CNN

De acordo com Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, diferente do que o ocidente espera, a partir da instalação de um novo governo central comandado pelo Talibã, o Afeganistão não viverá um momento de maior “inclusão”, conforme havia anunciado o porta-voz do grupo, Suhail Shaheen.

“Os talibãs vinham negociando com o governo americano lá atrás, ainda no governo do ex-presidente Donald Trump, em Doha, no Catar, prometendo isso [um governo mais inclusivo], e que seria diferente, que eles aprenderam. Pelo que se viu nos últimos dias em algumas cidades que eles já ocuparam, a violência já foi usada, infelizmente essa é a realidade de quando você tem a troca de um governo que não é pelo voto e, sim, pelas armas.”

O professor explica que a origem do termo talibã vem dos estudantes do Alcorão da etnia pashtun. Eles fazem uma leitura “muito radicalizada” do livro sagrado islâmico.

“O que está escrito é para se seguir, por isso, reviver uma sociedade do mundo muçulmano lá atrás, do século VII, VIII. Para nossos padrões ocidentais, completamente absurdos”, explica Gunther.

No entanto, o especialista analisa que parte dos cidadãos do Afeganistão consideram ter havido estabilidade no período em que o Talibã esteve no poder central do país, entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

“Não tinha mortes acontecendo a toda hora. Por isso, há apoio, por parte de alguns, à volta desse governo. Temos que encarar isso como sendo a realidade local. Lógico que não é o que nós sonhamos, principalmente aqueles que entendem os direitos humanos como algo importante para qualquer sociedade, mas infelizmente é a realidade de lá.”

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