Uma ninhada com cerca de 20 ovos fossilizados do tempo dos dinossauros foi descoberta em um sítio arqueológico na cidade de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

O paleontólogo William Nava anunciou nessa quinta-feira, 10, ter encontrado cerca de 20 ovos que podem ser de crocodilos que conviveram com os dinossauros no período cretáceo, entre 70 e 80 milhões de anos atrás. Ele achou ainda um ovo que pode ser de um terópode, pequeno dinossauro carnívoro. “É uma descoberta importante e rara, uma vez que ovos fossilizados são difíceis de preservar, devido à sua estrutura frágil”, disse.

Nava acredita que os ovos diferente dos de crocodilos são de um tipo de um terópode, um pequeno dinossauro carnívoro, pelas características do material. “Perto da ninhada tinha um ovo inteiro, e um pedaço de ovo que poderia ser de dinossauro carnívoro porque o tamanho era maior e a casca bem mais espessa. A ornamentação da casca também era diferente das demais encontradas”, explicou.

O paleontólogo ressalta que esse tipo de descoberta é rara e vai lançar luz sobre as espécies que habitaram a região há milhares de anos. “Esses achados são muito importantes, porque encontrar ovos inteiros fossilizados é um evento bastante raro no mundo. É uma raridade da natureza esses ovos terem ficado conservados por tanto tempo”, ressaltou.

O pesquisador diz também que o estado em que os ovos foram conservados lança luz para outros estudos. “Outro dado importante é que essa ninhada conservada pode apontar condições ambientais favoráveis não só para a existência de dinossauros na região, mas para estruturas mais frágeis. Pode abrir outro campo de pesquisa científica para acharmos mais ovos também”, ponderou Nava.

Sobre os ovos do crocodilo jurássico, ele tem poucas dúvidas, pois já encontrou dois exemplares semelhantes no início dos anos 2000, em Marília. “Estes têm casca e formato típicos daqueles que encontramos próximo do esqueleto fóssil que foi identificado como Mariliasuchus amarali, o crocodilo de Marília. Na época, a pesquisadora Claudia Magalhães, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou os ovos como sendo de crocodilo. Só que, desta vez, os ovos estavam isolados, sem a presença de ossos por perto”, disse.

Os ovos foram levados para o Museu de Paleontologia de Marília, do qual Nava é o curador. Ele conta que o material será analisado nos laboratórios da Universidade de Brasília (UnB) por uma equipe de especialistas como o paleontólogo Rodrigo Santucci, da UnB e da Sociedade Brasileira de Paleontologia, e o argentino Agustin Martinelli, do Museu de Ciências Naturais de Buenos Aires. Para a identificação, fragmentos da casca são submetidos a análises microscópicas que medem a presença de carbonatos e outros minerais.

O estudo pode indicar a possível presença de um embrião no interior dos ovos, o que facilitaria determinar a espécie do animal que o produziu. “Que eu saiba, ainda não se achou ovo fóssil com embrião no Brasil”, disse.

Ele conta que os ovos foram encontrados por acaso, a 40 metros das escavações onde achou os fósseis de pássaros. “Em agosto do ano passado, a meu pedido, a prefeitura de Presidente Prudente mandou cercar o terreno com alambrado para proteger o sítio paleontológico. Na abertura dos buracos para sustentar a cerca, apareceram algumas cascas de ovos fossilizados. Isso nos deixa a impressão de que temos muito material ainda enterrado nesse local.”

Informações do G1

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