Estreia recente no catálogo da Netflix, ‘O Milagre’ (The Wonder) tem como premissa a história de Lib Wright, interpretada por Florence Pugh, uma enfermeira convocada para acompanhar o suposto milagre de Anna O’Donnel (Kila Lord Cassidy).

Anna é uma menina irlandesa que há meses não se alimenta em um país que, justamente, enfrenta uma crise de abastecimento que ficou conhecida como ‘A Grande Fome’ (a penúria aconteceu na vida real).

A primeira cena que o espectador assiste é a presunção dos bastidores do filme, isto é, o cenário simples montado em folhas de compensado sustentadas por enormes andaimes.

No palco, câmeras, luzes e outros equipamentos estão cuidadosamente montados no palco. É aí que o cartão-título do filme aparece em meio a esse artifício inicial.

“Este é o começo”, diz o narrador sem rosto (que mais tarde revela-se ser Niamh Algar). “O começo de um filme chamado The Wonder. As pessoas que você vai conhecer, os personagens, acreditam em suas histórias com total devoção. Não somos nada sem histórias. E por isso convidamos você a acreditar nisso”.

Em seguida, aparece a jovem enfermeira inglesa, Lib. Desse momento em diante, o espectador se prende a ela.

O longa-metragem é uma adaptação do romance de Emma Donoghue (2016), e se desenrola do ponto de vista da enfermeira Lib, chamada à Irlanda para acompanhar a jovem Anna O’Donnell (Kíla Lord Cassidy), que afirma estar sobrevivendo apenas com “maná do céu” há pelo menos 4 meses.

Agnóstica convicta, Lib costumeiramente bate de frente com os devotos católicos irlandeses que a convocaram. A enfermeira acaba encarnando o papel de investigadora ativa em vez de uma companheira de cabeceira.

Ali, procura nos aposentos da casa dos O’Donnell por esconderijos secretos de comida para explicar a impossível façanha de jejum de Anna.

Ao não conseguir qualquer evidência que prove o contrário, Lib exige que todo contato físico entre Anna e sua família cesse. É aí que a saúde da menina declina a passos largos.

E para seu espanto, os habitantes da cidade e família de Anna parecem tranquilos com sua iminente deterioração e morte, bem cientes de que assim a farsa inventada nunca será revelada. “É a vontade de Deus”, retrucam, enquanto a garota definha.

Essa indiferença com a criança contrasta com os princípios supostamente defendidos por aquela população, e a crítica à Igreja Católica ao final é inevitável.

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Também sobra espaço no filme para debater ‘A Grande Fome’ e o sentimento anti-irlandês nutrido, ainda hoje, por muitos britânicos. Em resumo, um filme que merece ser visto e debatido!

Assista ao trailer abaixo:

Fonte: Portal Raízes

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.