Os consumidores globais estão esquentando os carros elétricos, cujas vendas devem saltar de 5 milhões de veículos em 2017 para 23 milhões em 2030, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Um crescimento semelhante é esperado para baterias recarregáveis, com o mercado de cátodo – o eletrodo positivo da bateria de íon-lítio – previsto para chegar a US $ 58 bilhões em 2024, ante US $ 7 bilhões estimados em 2018.

Embora esta seja uma ótima notícia para os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, um relatório da UNCTAD diz que o crescimento esperado na mineração de matérias-primas usadas para fazer baterias recarregáveis ​​levanta preocupações ambientais e sociais que devem ser tratadas com urgência.

“A maioria dos consumidores está ciente apenas dos aspectos ‘limpos’ dos veículos elétricos”, diz Pamela Coke-Hamilton, diretora de comércio internacional da UNCTAD. “Os aspectos sujos do processo de produção estão fora de vista.”

Isso porque, embora a maioria dos consumidores viva em países industrializados, a maior parte das matérias-primas está concentrada em alguns países em desenvolvimento.

Uma das regiões mais secas do mundo

Mais da metade dos recursos mundiais de lítio está abaixo das salinas nas regiões andinas da Argentina, Bolívia e Chile, onde os fazendeiros indígenas de quinoa e pastores de lhamas agora devem competir com os mineradores por água em uma das regiões mais secas do mundo.

A mineração de lítio requer grandes quantidades de água subterrânea para bombear salmouras dos poços perfurados, e algumas estimativas mostram que quase 2 milhões de litros de água são necessários para produzir uma tonelada de lítio.

No Salar de Atacama do Chile, o lítio e outras atividades de mineração consumiram 65% da água, causando esgotamento dos lençóis freáticos, contaminação do solo e outras formas de degradação ambiental, forçando as comunidades locais a abandonar os assentamentos ancestrais.

“À medida que a demanda por lítio aumenta e a produção é explorada em minas e salmouras mais profundas, os desafios de mitigar o risco ambiental aumentarão”, afirma o relatório.

Minas artesanais no Congo

Quase 50% das reservas mundiais de cobalto estão na República Democrática do Congo, que responde por mais de dois terços da produção global do mineral.

Cerca de 20% do cobalto proveniente do país da África Central vem de minas artesanais, onde cerca de 40.000 crianças trabalham em condições extremamente perigosas, de acordo com a UNICEF, a agência da ONU para crianças.

A poeira da escavação pode conter metais tóxicos, incluindo urânio, que estão ligados a problemas de saúde, como doenças respiratórias e defeitos de nascença.

Os riscos ambientais são igualmente preocupantes. Os locais de minas de cobalto podem conter minerais de enxofre que podem gerar ácido sulfúrico quando expostos ao ar e à água. Esse processo, conhecido como drenagem ácida de minas, pode devastar rios, córregos e a vida aquática por centenas de anos.

Os impactos ambientais da mineração de grafite são semelhantes. O uso de explosivos pode levar poeira e partículas finas para a atmosfera, causando problemas de saúde nas comunidades próximas e contaminando os solos ao redor do local.

Cerca de 80% das reservas naturais de grafite estão no Brasil, China e Turquia.

Investir mais em tecnologias verdes

O relatório diz que os impactos ambientais adversos podem ser reduzidos investindo mais em técnicas e tecnologias de mineração sustentáveis ​​que podem reciclar com mais eficácia as matérias-primas encontradas nas baterias de íon de lítio usadas.

A UNCTAD também recomenda que a indústria encontre maneiras de reduzir a necessidade de mineração em primeiro lugar. Por exemplo, os cientistas estão testando a possibilidade de substituir o grafite nas baterias por silício amplamente disponível.

Reduzir o uso de minerais encontrados em apenas alguns países pode levar a preços mais baixos para as baterias, diz o relatório, o que pode levar a ainda mais carros elétricos nas estradas.

Brasil pode ser um dos principais fornecedores de matéria-prima para produção de baterias

De acordo com a agência, poucos países dominam a produção de commodities estratégicas para a produção dessas baterias recarregáveis: cobalto é sobretudo produzido na República Democrática do Congo; lítio na Austrália e Chile; grafite na China e Brasil; manganês na África do Sul, Austrália e também Brasil.

O Brasil detém, por exemplo, 24% das reservas de grafite, mas apenas 10% da produção mundial e 6% das exportações. Em comparação, a China, com 25% de reservas, exporta 64% do total mundial.

No caso de manganês, o Brasil tem 15% das reservas, só atrás de África do Sul e Ucrânia, mas a produção fica em 7%. O país tem também importantes reservas de lítio.

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Fonte: UNCTDA

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