Desde 1901, foram concedidos quase 600 Prêmios Nobel, distribuídos para mais de 60 diferentes nações. A Argentina tem cinco prêmios (incluindo dois da Paz). O Chile tem dois, assim como a Colômbia. O México tem três. A Guatemala dois. A Venezuela, um. Até mesmo países pequenos, como Ilhas Faroe, Luxemburgo, Santa Lúcia, Lituânia e Mianmar também já conquistaram suas premiações.

E o Brasil? Nenhum. Uma rápida pesquisa no Google nos mostra que é corriqueiro o questionamento sobre o porquê da ausência de prêmios ao país e as explicações, principalmente quando falamos de ciência, giram em torno da falta de investimentos – ou a má aplicação deste orçamento já apertado. Contudo, poderíamos questionar o Nobel de Mianmar, onde mais da metade das crianças vive abaixo da linha de pobreza, da Guatemala ou da Colômbia se esta fosse a única justificativa.

Uma explicação no mínimo surpreendente surgiu há poucos dias e veio de um jantar entre um brasileiro e três membros do comitê responsável pela indicação dos Prêmios Nobel. O brasileiro em questão é Ozires Silva, ex-presidente e fundador da Embraer.

Ozires Silva foi presidente da Petrobras, da Varig e Ministro de Estado por duas vezes. Aos 87 anos, voltou sua trajetória à educação, sendo presidente do conselho de inovação da Ânima e reitor da Unimonte. No programa Roda Viva, ele compartilhou com os espectadores esta conversa que teve com os membros do comitê, trazendo aos brasileiros um triste argumento para o questionamento que norteia este texto: por que o Brasil nunca venceu um Prêmio Nobel? Confira abaixo a fala de Ozires Silva.

“Em um jantar, em Estocolmo, eu vi que eu tinha, de repente, três membros do comitê que indica os prêmios Nobel. Daí, fiz esta pergunta para eles. Eles não responderam imediatamente, porque acho que ficaram meio embaraçados, mas acho que, depois de umas doses de vodca e coisas desse tipo, um deles falou o seguinte: ‘vou responder sua pergunta. Vocês brasileiros são destruidores de heróis.’ Olha, foi uma pancada no estômago. Falei ‘por quê?’ Ele falou que todos os candidatos brasileiros que apareceram, contrariamente aos dos outros países, em particular os Estados Unidos, quando aparece um candidato brasileiro, todo mundo joga pedra do Brasil. Não tem apoio da população. Parece que o brasileiro desconfia do outro ou tem ciúmes do outro, sei lá o que acontece.”

E então? Seríamos destruidores de heróis?

Como apuramos após a publicação original do artigo, vale salientar dois feitos brasileiros: em 2017, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz foi a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, na sigla em inglês). Entre os integrantes do Comitê Gestor da ICAN está o brasileiro Cristian Wittmann, professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). No mesmo ano, Wittmann participou da cerimônia de abertura das assinaturas do Tratado de Proibição das Armas Nucleares, realizada na sede das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. O Tratado faz com que as armas nucleares sejam definitivamente consideradas ilegais no cenário internacional.

Também em 2017, o Prêmio Nobel de Física foi entregue aos norte-americanos Rainer Weiss, Kip Thorne e Barry Barish, membros da colaboração Ligo (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro a Laser, na sigla em Inglês) por suas contribuições para a detecção das ondas gravitacionais. A LIGO possui seis membros brasileiros, na Divisão de Astrofísica do INPE: Odylio Denys Aguiar, líder das pesquisas sobre ondas gravitacionais no Instituto, César Augusto Costa, Márcio Constâncio Jr, Elvis Camilo Ferreira, Allan Douglas dos Santos Silva e Marcos André Okada.

Fonte: Fronteira do Pensamento

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