A prefeitura de Paris foi multada em 90 mil Euros por ter nomeado muitas mulheres para cargos de liderança em 2018, em violação a uma lei que visa garantir o equilíbrio de gênero.

As autoridades da cidade de Paris foram multadas por empregar muitas mulheres em cargos importantes, uma decisão ridicularizada como absurda pela prefeita, Anne Hidalgo , na terça-feira.

A multa de 90 mil euros foi exigida pelo ministério do serviço público da França com o fundamento de que a prefeitura de Paris violou as regras nacionais sobre paridade de gênero em seu quadro de funcionários de 2018.

Naquele ano, as mulheres ocupavam 69% de cargos de direção na prefeitura parisiense, o equivalente a 11 dos 16 postos de chefia. Um decreto governamental de 2012, que só foi revisado no ano passado, prevê a multa de € 90.000 para as grandes cidades que não respeitarem, na nomeação de seu alto escalão, ao menos “40% de pessoas de cada sexo”. Ironia, a lei visava proteger as mulheres.

Sarcástica, a prefeita socialista disse que “a gestão da prefeitura se tornou, de repente, feminista demais”. Anne Hidalgo foi reeleita este ano para um novo mandato à frente de Paris. “Essa multa é obviamente absurda, injusta, irresponsável e perigosa”, criticou. Ela acrescentou que as mulheres devem ser promovidas “porque o atraso em todas as partes da França ainda é muito grande”.

De acordo com o texto da decisão citada pelo Le Monde, a prefeitura violou uma regra de 2013 que estipula que um sexo não deve responder por mais de 60% das indicações para cargos de gestão.

A prefeita disse que levaria pessoalmente o cheque da multa ao governo, junto com seus vice-prefeitos e todas as mulheres que trabalham para ela.

Multa irá financiar promoção de mulheres

Pelo Twitter, a ministra do Serviço Público, Amélie de Montchalin, reconheceu a imposição da multa, mas acrescentou que a norma exigindo a paridade de 40% para cada sexo foi modificada em 2019. “A importante presença de mulheres na prefeitura de Paris contribui à feminilização dos cargos de confiança e de direção, no entanto, ela desrespeita o limite legal de 40%”, justificou uma fonte do ministério citada pelo jornal Le Monde.

“Quero que a multa paga por Paris pelo ano de 2018 financie ações concretas para promover as mulheres no serviço público”, frisou Amélie de Montchalin, que convidou Hidalgo para discutir o assunto.

Informações de RFI

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