Como já esperado, o desfile da escola carioca Paraíso do Tuiuti, na madrugada desta segunda (12), colocou o dedo na ferida que atormenta o Brasil.

Abordando temas como impeachment, crise nas relações de trabalho, desigualdades sociais, sátira às manifestações pela cassação da ex presidente, teve como climax a sátira ao atual presidente, Michel Temer.

A exibição da escola lavou a alma do povo brasileiro.

Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?” o “presidente vampiro” foi destaque no último carro da escola, o navio “neo tumbeiro”.

Abaixo, confira o samba enredo e, no vídeo, uma versão acústica do samba que encantou o Brasil. No finalzinho, o desfile completo da escola.

 

Grazzi Brasil canta versão acústica do samba do Tuiuti

Nosso samba ganhou uma versão acústica na voz da Grazzi Brasil. Se você gostou, compartilha pra geral! Simbora, Tuiuti!!! 💪🏾💙💛💙💛 #tuiuti #carnaval #carnivalbrazil #samba #carnaval2018

Posted by G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti on Friday, January 19, 2018

Samba Enredo 2018 – Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?
G.R.E.S Paraíso do Tuiuti – 2018

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

Ê Calunga, ê! Ê Calunga!
Preto velho me contou, preto velho me contou
Onde mora a senhora liberdade
Não tem ferro nem feitor

Amparo do Rosário ao negro benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

Assista ao desfile completo da escola:

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