Mônica Nunes / Conexão Planeta

Durante sete anos, o fotógrafo Sebastião Salgado viajou à Amazônia para registrar a floresta amazônica, com toda sua magnitude, e a presença altiva dos povos indígenas.

No início, ele ainda estava envolvido com a produção de Gênesis, mas, junto com Lélia Wanick Salgado, sua companheira, já vislumbrava a possibilidade de realizar uma exposição especial em várias cidades do mundo para apresentar a beleza das regiões preservadas e a importância dos indígenas em sua conservação.

Os dois queriam ajudar a despertar a consciência e a ação pela proteção deste bioma, que é patrimônio da humanidade. Mostrar “a floresta que precisamos preservar”, que ainda está intocada graças a seus guardiões.

Serra do Marauiá, estado do Amazonas, 2018

Assim, de 2013 a 2019, o fotógrafo realizou 48 expedições para lá. Navegou pelos rios que correm como serpentes na região, flagrou chuvas torrenciais e os famosos ‘rios voadores’, as árvores com suas copas suntuosas e paisagens majestosas, pouco ou nada conhecidas.

“Todo mundo conhece a Amazônia como uma grande planície repleta de árvores e de rios, mas ela tem um sistema de montanhas maior do que os Alpes, com cachoeiras incríveis”.

Salgado também visitou 12 comunidades indígenas – de etnias como yanomami, yawanawá, marubo, ashaninka… – e convidou seus integrantes – homens, mulheres e crianças – a revelarem sua cultura, hábitos e rituais, enfeitados com pinturas e adereços.

Idealizada por Lélia, a exposição Amazônia foi realizada simultaneamente em Paris (onde mora o casal), Londres e Roma, de maio a outubro do ano passado. Agora, chega a São Paulo: em 15 de fevereiro, no Sesc Pompeia, onde fica até 10 de julho.

Depois, segue para o Rio de Janeiro, no Museu do Amanhã, devendo ser apresentada em Belém e outras capitais brasileiras em 2023.

Imagens e sons da floresta

Paisagem deslumbrante no Rio Jaú, no estado do Amazonas

Lélia assina a curadoria e a cenografia da exposição, que convida o visitante a apreciar 205 imagens em preto e branco como se estivesse numa expedição pela floresta, ao som de uma música composta, com exclusividade, pelo francês Jean Michel Jarre, com sons da Amazônia extraídos dos arquivos do Museu de Etnografia de Genebra.

“Nem Salgado nem eu queríamos música ambiente ou exclusivamente étnica. A floresta é muito barulhenta, tem sons independentes, não é como uma orquestra”, explicou Jarre na inauguração da exposição em Paris. E ele ainda salientou: “Mas é harmoniosa para o ouvido humano”.

A música tem papel importante também em outros momentos da exposição: acompanham projeções fotográficas na parede.

Numa delas, fotos de florestas se revezam ao som do poema sinfônico Erosão – Origem do Rio Amazonas, do maestro brasileiro Heitor Villa-Lobos. Na outra, belíssimos retratos de indígenas ganham uma composição exclusiva do contrabaixista e produtor Rodolfo Stroeter.

Uma série de sete vídeos ainda apresenta depoimentos de lideranças indígenas, que chamam a atenção para a importância da preservação da floresta – eles são mestres! -, destacando algumas das ameaças que têm enfrentado, especialmente com o governo Bolsonaro.

“Esta exposição tem o objetivo de alimentar o debate sobre o futuro da floresta amazônica, é algo que deve ser feito com a participação de todos do planeta, junto com as organizações indígenas”, destaca Salgado.

“Todos temos que lutar e ajudar os movimentos de resistência brasileiros a frear o desmatamento”, diz ele, lembrando que este governo tem tentado “se apropriar dos territórios indígenas e dos parques nacionais” para favorecer o agronegócio e a mineração.

Concerto com Villa-Lobos

Arquipélago de Anavilhanas, no Rio Negro (2009)

Também integram o projeto Amazônia, de Sebastião e Lélia, apresentações na Sala São Paulo, nos dias 19 e 20/2, de um concerto especial.

Sob regência de Simone Menezes – com participação da soprano Camila Titinger -, a regência da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (OJESP) executará a sinfonia Floresta Amazônica, de Heitor Villa Lobos, enquanto serão projetadas fotos de Sebastião Salgado numa tela gigante.

Para finalizar, destaco a declaração de Jean Michel Jarre a respeito de Salgado, em Paris: “A exposição poderia ter sido fruto de um documentarista, mas é obra de um artista. Salgado nos convida a um passeio místico, é disso que precisamos agora, neste momento da pandemia”.

A seguir, mais algumas imagens da exposição Amazônia:

Matéria produzida pelo Conexão Planeta em 5 de fevereiro de 2022

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