Enterros de indígenas mortos pela Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira no cemitério Parque da Saudade, familiares de Felisberto Cordeiro (Foto: Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real/09/05/2020)

A pneumologista que se tornou uma referência na pandemia prevê “o março mais triste de nossas vidas”. Ela concorda com Miguel NIcolelis e defende um lockdown nacional urgente de 15 dias de duração

Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pneumologista Margareth Dalcolmo prevê que esse será o mês de março mais triste dos últimos anos por conta do agravamento da pandemia.

Segundo ela, nesse período, será possível constatar o aumento do contágio da Covid-19 e as consequências em todo o Brasil da desobediência às recomendações feitas pelos cientistas, como o uso de máscaras, o distanciamento social, a necessidade de lavagem das mãos e o uso de álcool em gel.

”Isso é reflexo do Carnaval, das festas que tem acontecido clandestinamente. Teremos UTIs lotadas pelo país, cada vez mais contaminados jovens, ou seja, pessoas abaixo de 50 anos. Isso, sem contar a média alta de mortes. Teremos o mês de março mais triste dos últimos anos”, projeta a especialista.

Onde ficarão essas pessoas que precisam de atendimento? E como poderemos conter essa avalanche de novos casos que põe em xeque o sistema de saúde e poderia afetar até mesmo a estabilidade social do país? O que fazer para se proteger num momento tão crítico?

Em entrevista à BBC News Brasil, a médica, que se tornou uma das vozes mais ativas e influentes da ciência brasileira durante a pandemia, analisa como chegamos até esse estágio da pandemia e o que pode ser feito a partir de agora para aliviar a crise sanitária.

“Nós estamos num momento muito grave da pandemia no Brasil, com um recrudescimento já materializado daquilo que consideramos uma segunda onda. Isso não nos surpreende, uma vez que as medidas de controle sanitário não foram só controversas, mas também ineficientes por um longo tempo. Nós sabemos também que a única solução possível para controlar a pandemia será a vacinação, e a campanha está apenas no início, numa velocidade muito aquém do desejável.”

No entanto, ela admite que o mês da previsão pessimista pode ser também o do início de uma guinada. Isso porque ela prevê que, neste período, haverá aumento expressivo na produção das vacinas utilizadas no país. Elas serão aplicadas nos meses seguintes.

“A Fiocruz e o Instituto Butantan estão com produção em grande escala dos imunizantes este mês [março] e em abril estaremos vacinando muito mais pessoas”, disse a especialista.

Mais informações dessa declaração você pode acessar no G1

Foto: Paulo Desana / Dabakuri / Amazônia Real

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