As eleições se aproximam e as coisas que nós, cidadãos, devemos suportar mais uma vez, são os argumentos pobres usando falácias lógicas. Embora os argumentos ruins sejam muito comuns, muitos deles são fáceis de identificar. Com um pouco de conhecimento e esforço, você pode descobrir o raciocínio errado e evitar ser enganado.

Aqui estão seis falácias lógicas que são comumente usadas na política. Incluem-se exemplos de como essas falácias são usadas e sugestões sobre como evitar ser aceitas.

Ad Hominem

Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo.

A falácia ocorre porque conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo.

O argumento contra a pessoa é uma das falácias caracterizadas pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através da introdução, dentro do contexto da discussão, de um elemento que não tem relevância para isso, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição.

Pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.

Pode-se distinguir entre alguns tipos do argumento contra a pessoa, que lançam mão de estratégias ligeiramente diferentes:

Argumento ad hominem abusivo: é o ataque direto à pessoa, colocando seu caráter em dúvida e, portanto, a validade de sua argumentação.
A preocupação é em sublinhar e chamar a atenção para as características pessoais do debatedor no lugar de se analisar seus argumentos.

Exemplos:
“As afirmações de Richard Nixon a respeito da política de relações externas em relação à China não são confiáveis pois ele foi forçado a abdicar durante o escândalo de Watergate.”
“Pessoas brancas não podem falar sobre racismo, pois elas são brancas e não tiveram tal experiência subjetiva”
“Homens não podem falar sobre machismo, pois são homens e não tiveram tal experiência subjetiva”
O mesmo vale para outros casos semelhantes em que se sublinham as características pessoais e as experiências subjetivas do debatedor no lugar de se tentar refutar seus argumentos e apresentar contraprovas às evidências que ele apresentou.

Como eu não sou enganado?
A melhor maneira de contornar isso é manter o foco nos problemas e não nas personalidades das pessoas que estão concorrendo. Embora alguns traços de personalidade possam ser mais desejáveis ​​do que outros, o fato de uma pessoa tê-los ou não, tem pouca influência nos méritos dos argumentos que elas apresentam.

Ladeira escorregadia

Uma falácia generalizada que regularmente engana milhões de pessoas. Este é o argumento de que se uma ação é tomada, absurda ou indesejável, outra ação inevitavelmente se seguirá. Portanto, não devemos dar o primeiro passo.

Exemplo
Se permitimos o casamento entre pessoas do mesmo sexo, logo veremos pessoas casando com seus pais, irmãos e até bichos de estimação.

Esse argumento pode ser difícil de detectar, mas sempre depende da ideia de que um evento necessariamente se seguirá de outro. A falácia reside em que algumas ações não são conectadas por necessidade, mas são apresentadas como tal.

Como evito ser enganado?
Quando você ouvir essa configuração, verifique se o segundo evento é necessário. Se não for, o orador está tentando enganar você.

Lembre-se, tem que haver uma razão lógica para que o próximo passo siga o primeiro. No caso acima.

Argumento do Espantalho

A falácia do espantalho (também conhecida como falácia do homem de palha) é um argumento em que a pessoa ignora a posição do adversário no debate e a substitui por uma versão distorcida, que representa de forma errada, esta posição. A falácia se produz por distorção proposital, com o objetivo de tornar o argumento mais facilmente refutável, ou por distorção acidental, quando o debatedor que a produz não entendeu o argumento que pretende refutar. Nessa falácia, a refutação é feita contra um argumento criado por quem está atacando o argumento original; não é uma refutação do próprio argumento original.[2] Para alguém que não esteja familiarizado com o argumento original, a refutação pode parecer válida, como refutação daquele argumento.

Exemplo

A falácia do espantalho muitas vezes acontece em debates sobre questões públicas, como esse (hipotético) debate sobre legalização e proibição:

A: Nós deveríamos ter leis menos rígidas em relação a legislação da cerveja;
B: Não, toda a sociedade com acesso irrestrito a bebidas alcoólicas acaba perdendo qualquer senso ético e termina em ruína.
A proposta original era ser menos rígido com a legislação da cerveja. A pessoa B interpreta erroneamente, de boa-fé ou não, respondendo que se isso acontecesse “(nós deveríamos ter…) acesso irrestrito a bebidas alcoólicas”. É uma falácia lógica pois a pessoa A jamais defendeu o acesso irrestrito a bebidas alcoólicas.

Como posso evitar ser enganado?
Essa falácia se baseia na deturpação de um argumento e na sua substituição por outro. A maneira mais simples de não ser pego é estudar o primeiro argumento sozinho, sem a chance de um candidato oponente o embaralhar.

Falso dilema

Falsa dicotomia, falso dilema, pensamento preto e branco ou falsa bifurcação é uma falácia lógica que descreve uma situação em que dois pontos de vista alternativos, geralmente opostos, são colocados como sendo as únicas opções, quando na realidade existem outras opções que não foram consideradas.

Essa falácia é usada para defender pontos de vista em geral, ela muitas vezes é usada em uma comparação em que uma das opções é completamente descartada pelo seu proponente, restando apenas a que lhe interessa.

Exemplo
A escolha é simples; ou deixamos os cães votarem, ou vamos entrar numa ditadura!

Como você pode supor, há muitas outras opções. Talvez possamos manter a democracia sem a emancipação de animais, por exemplo. O orador, no entanto, está tentando transportá-lo para o apoio de uma posição que ocupa, apresentando apenas duas opções.

Como posso evitar ser enganado?
O método mais simples para lidar com essa falácia é sempre prestar atenção  se as opções na tabela sejam as únicas opções. Você também deve prestar atenção quando as pessoas dizem que a escolha é simples, um falso dilema provavelmente está por perto.

Argumentum ad populum

Argumentum ad populum (apelo à multidão) é uma expressão latina que define um raciocínio falacioso que consiste em dizer que determinada proposição é válida ou boa simplesmente porque muitas pessoas (ou a maioria delas) a aprovam.Também chamado de apelo à quantidade,o argumento é inválido pois nada garante que algo seja verdadeiro ou correto apenas pela sua popularidade.

Exemplos:

“A maioria das pessoas acredita em alienígenas, portanto eles existem.”
“A maioria das pessoas acredita em Deus, portanto ele deve existir.”
“O artista\músico x vendeu diversos discos, logo sua música é objetivamente boa”
O apelo ao jargão “A voz do povo é a voz de Deus” também consiste na aplicação desta falácia.
“Se algo é popular, significa que este algo é objetivamente bom.”

Como evito ser enganado?
A melhor defesa contra esse truque é se concentrar nas qualificações de um candidato. Um candidato não qualificado que é popular ainda é um péssimo candidato.

Falsa equivalência

Falsa equivalência é uma em que dois argumentos opostos parecem ser logicamente equivalentes quando de fato não são.

Essa falácia é categorizada como uma falácia de inconsistência.

Uma maneira comum para essa falácia ser perpetuada é quando o compartilhamento de uma característica de dois objetos se assume que demonstram equivalência, especialmente em ordem de magnitude, quando a equivalência nao necessariamente é o resultado lógico.

Falsa equivalência é o resultado comum quando uma similaridade anedótica é apontada como igual, mas a reivindicação de equivalência não se sustenta pois a similaridade é baseada na simplificação excessiva ou ignorância de fatos adicionais. A falácia costuma se apresentar no seguinte formato: “Se A é conjunto de ‘c’ e ‘d’, e B é o conjunto de ‘d’ e ‘e’, então, já que ambos contém d, A e B são iguais. Não é necessário que ‘d’ exista em ambos os conjuntos; apenas uma leve semelhança é requerida para que seja possível usar essa falácia.

Os exemplos seguintes são exemplos de falsa equivalência:

“Ambos são macios e fofos. Não existe diferença entre um cão e um gato”

“Todos sangramos vermelho. Não existe diferença de um pro outro”

“Democracia Social é só um nome bonito para Estado Totalitário”

Como evitar ser enganado
Essa falácia é complicada, pois só pode ser usada quando há uma semelhança superficial entre duas posições. No entanto, como no exemplo acima, observar um pouco mais de perto revela que as posições estão longe de serem idênticas.

 

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