Há filmes que crescem justamente por parecerem simples à primeira vista. “Aprendendo com a Vovó” entra nesse grupo ao contar uma história íntima, cheia de atritos familiares, mágoas antigas e conversas que doem porque soam verdadeiras.

Em vez de apostar em grandes acontecimentos, o longa prefere olhar para aquilo que muita gente conhece bem: perdas mal resolvidas, vínculos desgastados e a dificuldade de seguir em frente quando o passado insiste em voltar.

pensarcontemporaneo.com - Na Netflix, um simples pedido da neta faz uma avó encarar lembranças que ela passou anos tentando evitar

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No centro da trama está Elle Reid, vivida por Lily Tomlin, uma poeta de temperamento afiado que se fechou depois da morte da companheira com quem dividiu a vida por décadas.

Ela leva os dias com impaciência, ironia e uma disposição quase nula para agradar os outros. Esse isolamento, porém, começa a rachar quando sua neta Sage, interpretada por Julia Garner, surge com um pedido urgente e coloca a avó no meio de um problema que precisa ser resolvido sem demora.

Sem dinheiro à mão e sem uma saída fácil, as duas passam o dia circulando por lugares e pessoas que Elle preferia evitar.

O que começa como uma tentativa prática de conseguir ajuda vira um reencontro forçado com antigas escolhas, feridas familiares e lembranças que seguem vivas, mesmo depois de tanto tempo.

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O roteiro usa esse movimento para revelar, aos poucos, quem essa mulher é por trás da acidez que mostra o tempo todo.

A presença de Judy, personagem de Marcia Gay Harden e mãe de Sage, aumenta ainda mais a tensão. A entrada dela traz para a superfície conflitos guardados há anos e deixa claro que, naquela família, quase ninguém sabe conversar sem tocar em alguma ferida.

É nesse ponto que o filme acerta em cheio: ele trata temas pesados sem transformar tudo em drama excessivo, equilibrando desconforto, humor e sinceridade de um jeito muito natural.

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Dirigido por Paul Weitz, o longa encontra sua força principalmente em Lily Tomlin, que dá a Elle uma mistura muito convincente de dureza, fragilidade e inteligência. Ela pode ser ríspida, inconveniente e até cruel em alguns momentos, mas nunca soa artificial.

Isso faz com que “Aprendendo com a Vovó” funcione como um retrato honesto de relações atravessadas por luto, culpa, envelhecimento e amadurecimento emocional.

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.