Asas brilhantes, coloridas e detalhadas: o destaque para esses insetos fica sempre para o visual. Tão difícil quanto selecionar as fotos mais bonitas de borboletas é determinar o quanto sabemos sobre elas.

A cultura popular e desconhecimento muitas vezes podem nos afastar de espécies curiosas e muito intrigantes.

Mais do que néctar

Muito se sabe sobre o potencial das borboletas como polinizadoras. A fama vem do hábito de se alimentarem de néctar e de pólen de flores e, com isso, depositarem as substâncias por onde se locomovem. Mas, além dessa dieta, esses insetos também podem se alimentar de sais minerais.

A estudante de Ciências Biológicas, Aline Vieira e Silva, trabalha com o levantamento de espécies de borboletas o Instituto Butantan, através da Iniciação Científica. Ela descreve que os sais minerais são retirados por elas de poças d’água, solos bastante úmidos e até de suor ou ainda das lágrimas de outros animais.

“Além disso, existem espécies que se alimentam de frutos em decomposição, fezes de outros animais ou resina de árvores, conhecidas como borboletas frugívoras”, explica Aline. Há ainda algumas espécies que se tornam venenosas por conta da planta que se alimentam.

Para se alimentar, todas as borboletas usam uma estrutura chamada de espirotromba. Esse é um órgão do aparelho bucal das borboletas que funciona como um “canudinho”. Normalmente, elas os mantêm enrolados e desenvolvem quando vão sugar algum alimento.

Borboleta morre rápido

Nem sempre! O tempo de vida de uma borboleta pode variar muito de acordo com a espécie. Aline Vieira afirma que muitas delas, de fato, não vivem mais do que um mês quando chegam à fase adulta. Entretanto algumas espécies podem viver até um ano.

“É o exemplo da Borboleta-Monarca (Danaus plexippus), alguns indivíduos vivem até 12 meses para conseguir realizar uma grande migração, que é característica dessa espécie”, relata a estudante.

Brilho não é perigo

“As borboletas podem apresentar colorações muito bonitas e chamativas em suas asas. O que origina esses padrões são as pequenas escamas coloridas que recobrem toda as asas desses insetos”, explica Aline.

As mesmas escamas produzem aquele “pózinho” que sentimos nos dedos quando seguramos uma borboleta por suas asas. Ao contrário do que muitos dizem, a estudante esclarece que esses fragmentos não cegam ou causam qualquer dano à saúde.

Mestre dos disfarces

Algumas espécies de borboletas também adotaram uma habilidade: se fingirem de mortas. “Esse comportamento é chamado de tanatose e ocorre quando a borboleta, ao se sentir ameaçada, fica imóvel, sem voar ou se mexer, na tentativa de enganar seu predador e fazer com que ele perca o interesse nela”, explica Aline.

Há ainda uma grande parte das borboletas que utilizam em seu benefício o padrão de coloração que possuem. Assim, se misturam com a cor do ambiente em que vivem, dificultando sua visualização.

“É comum que a borboleta apresente essa coloração de camuflagem apenas na parte ventral das asas, com cores vivas e chamativas na parte dorsal. Dessa forma, quando está pousada com asas fechadas ela fica camuflada, e quando abre as asas expões a coloração que usa para se comunicar com outras borboletas”, descreve a estudante.

Borboletas e a tecnologia

Você já esteve com o seu celular no sol e não conseguia ver o que estava na tela por conta do reflexo? Uma empresa de tecnologia se baseou nas borboletas para tornar a tela de telefones móveis claramente legível, até sob o brilho do sol.

“O padrão de escamas encontrado na asa de algumas borboletas apresenta um azul metálico muito bonito e que reflete a luz do sol com muita eficiência. A empresa se baseou no mecanismo de reflexão das asas desses insetos para elaborar as telas que refletissem e aproveitassem melhor a luz ambiente”, explica Aline Vieira.

Como observar borboletas?

Diante da diversidade de curiosidades sobre as borboletas, avistá-las também se torna uma tarefa de paciência e atenção. Assim como encontrar passarinhos, a observação de borboletas pode ser feita até mesmo em áreas urbanas.

A ausência de nomes populares pode dificultar a identificação para o público leigo, mas algumas localizações oferecem uma variedade de espécies a serem avistadas. Um binóculo na mão e a delicadeza para não assustá-las garante uma experiência de sucesso ao lidar com esses insetos.

Em Campinas (SP), o borboletário da Mata Santa Genebra funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas, e a entrada é gratuita.

Todo primeiro domingo do mês são promovidas visitas monitoradas, oportunidade de observar e conhecer cerca de 20 espécies diferentes. Para participar da atividade é necessário fazer inscrição!

Se você for de São Paulo, uma dica é visitar o Borboletário Águias da Serra que conta com 14 espécies diferentes de borboletas. Não é necessário agendar a visita, mas fique atento, pois o parque não funciona em dias com previsão de chuva.

O borboletário fica aberto das 10 às 16 horas, aos sábados, domingos e feriados.

Borboletário Águias da Serra

Estr. da Ponte Alta, 4300 – Eng. Marsilac – São Paulo – SP

Borboletário Mata Santa Genebra

Rua Mata Atlântica, 47 – Bosque de Barão – Campinas – SP

Fonte: G1

Imagens: Pixabay

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