Tem série que chega ao catálogo como quem “entra de fininho”: sem campanha barulhenta, sem trend pronto, sem aquele empurrão do algoritmo. Open Your Eyes (Otwórz oczy) é bem assim — e talvez por isso funcione tão bem.

Ela te prende não por sustos ou explicações mastigadas, mas por uma desconfiança crescente: o que, exatamente, está sendo contado aqui… e por quem?

Open Your Eyes é uma minissérie polonesa de 6 episódios, lançada na Netflix em 25 de agosto de 2021. A premissa é direta e, ao mesmo tempo, inquietante: Julia, uma adolescente que perdeu a família em um acidente, acorda em um centro de tratamento para distúrbios de memória.

pensarcontemporaneo.com - Chegou sem barulho à Netflix, mas o último episódio está fazendo espectadores questionarem tudo

O lugar promete reabilitação, mas o método é… estranho. E quanto mais ela tenta reconstruir o que aconteceu, mais surgem sonhos, lapsos e sinais de que ali dentro pode existir outra agenda.

A série é baseada no romance “Druga szansa”, da autora polonesa Katarzyna Berenika Miszczuk — e isso ajuda a explicar por que a narrativa gosta de esconder cartas na manga e trabalhar com pistas plantadas cedo.

Sem floreio: o que faz a série render assunto é o modo como ela usa o “tratamento” como motor do suspense. A rotina do centro — regras, sessões, exames e aquela sensação de vigilância — vira um labirinto.

Julia começa a se aproximar de outros pacientes (como Adam), e essas relações funcionam como atalhos para o espectador entender o lugar… e, ao mesmo tempo, desconfiar dele.

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No elenco, a série se apoia bastante na Maria Wawreniuk (Julia) e no Ignacy Liss (Adam), com um grupo de jovens ao redor que mantém o clima de “todo mundo sabe algo que você não sabe”.

E a direção (Anna Jadowska e Adrian Panek) aposta numa estética fria e clínica, que combina com a ideia de memória sendo tratada quase como arquivo: algo que dá pra acessar, cortar, reorganizar.

Agora, sobre o motivo de tanta gente terminar o último episódio com a sensação de ter que “voltar e conferir”: o final muda o peso de várias cenas anteriores.

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Não é um choque gratuito; é aquele tipo de virada que mexe com a lógica do que você achava que estava vendo — o centro, as pessoas, as escolhas da protagonista e até a forma como a série vinha “explicando” as coisas.

Parte da crítica gostou justamente desse jogo e do visual mais seco, ainda que reconheça que a série gosta de guardar respostas para depois.

Se você curte suspense psicológico com ficção científica na medida, Open Your Eyes é uma boa pedida: curta, fechadinha em poucos episódios e com um desfecho que deixa o cérebro trabalhando quando sobem os créditos.

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.