“As Garotas do Prédio” é um drama tailandês de Jirassaya Wongsutin que acompanha Jane, uma jovem prestes a deixar o apartamento funcional em que cresceu dentro de um complexo policial.
Antes de partir, ela percorre aquele espaço marcado por hierarquia e convivência constante, e revisita relações que pareciam resolvidas. O foco não está na nostalgia, mas no que Jane levará consigo quando sair.
Enquanto empacota objetos, Jane se confronta com lembranças que não se encaixam em caixas. A mais insistente é Ann, uma mulher mais velha e ambiciosa que ocupou um lugar de segurança e referência na vida dela.

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A relação entre as duas nunca foi abertamente definida; existiu em gestos, silêncios e aproximações cuidadosas. Quando um jovem policial entra no prédio, reorganizando as dinâmicas sociais, Ann encontra novas oportunidades e ajusta sua posição, enquanto Jane percebe que o espaço entre elas diminui.
A partir daí, o filme constrói uma tensão quase imperceptível. Jane tenta manter a proximidade, mas se depara com barreiras sutis: conversas interrompidas, encontros adiados e o tempo atuando contra ela.
Ann evita confrontos e prioriza aquilo que garante sua estabilidade; Jane opera no campo do afeto, buscando sentido onde a outra já enxerga cálculo. Em um dos momentos mais significativos, Jane tenta transformar a ambiguidade em clareza, mas encontra um limite firme que encerra qualquer expectativa de reciprocidade sem explosão emocional.
Wongsutin acerta ao não transformar o drama em melodrama. Há um humor discreto no modo como Jane tenta manter a dignidade enquanto perde o controle da situação.
A mudança de apartamento deixa de ser apenas logística e vira uma despedida: cada objeto guardado marca uma escolha, e cada escolha reforça que talvez não seja possível resolver tudo antes de ir.
“As Garotas do Prédio” fala de sentimentos que não encontram forma e de relações que habitam zonas indefinidas; no fim, a decisão de partir surge não porque tudo terminou, mas porque ficar já não faz sentido.
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