Aos 34 anos, a atendente Jaciana Batista, de São Paulo, é mãe de três crianças: a Nicoly, de 13 anos, o Edgar, de 10, e o Gustavo, de 7 anos.

O caçula, entretanto, tinha outro nome até alguns anos atrás… Gustavo nasceu menina, mas aos 2 anos começou a apresentar fortes sinais de que se identificava com o gênero  oposto. “Ele começou a rejeitar tudo. Quando eu colocava um vestido, ele tirava e colocava as roupas do irmão. Uma vez, irritado, começou a arrancar os cabelos porque coloquei um laço nele”, lembrou Jaciana.

Na época, ela não entendia nada sobre a transexualidade. “Fiquei bastante aflita. Levei ele a um neuropediatra, a um psiquiatra, ele fez eletroencefalograma e nada! Os médicos falavam que ele não tinha nada. Até que, ao contar sobre o Gustavo para uma prima, ela me mandou a reportagem sobre a história de uma menina trans e percebi que eu também tinha um filho trans”, relembrou.

Os meses seguintes foram bastante desafiadores: Gustavo sofria ataques e agressões, especialmente na escola. “Vi meu filho ser espancando e sofrer agressões psicológicas na escola ao contar que não era uma menina e, sim, um menino. Ele sofreu muito, não queria mais nem ir para a aula e tinha medo das crianças”, lembrou a mãe.

Sempre disposta a apoiar o filho, Jaciana passou a permitir que ele fosse, afinal, ele mesmo. “A partir disso, ele passou de uma criança triste, calada, depressiva, que chorava por tudo… para uma criança cheia de sonhos, sorridente. Antes, ele não permitia ser fotografado e, quando começou sua transição (com roupas e troca do nome), pediu até para ser youtuber e disse que queria ser ator”, disse ela, muito orgulhosa. “Com nosso amor e carinho, aos poucos, ele está se sentindo cada dia mais solto e feliz”, complementou.

Alguns dias atrás, Gustavo recebeu uma notícia maravilhosa. “Recebemos a retificação do registro de nascimento do Gustavo. É uma vitória”, comemorou Jaciana.

A mãe de 3, que é lésbica, sabe na pele como é o preconceito sofrido pelo filho. “Amigos e alguns familiares, quando souberam, viraram as costas para mim. Outros deixaram de falar comigo pelo simples fato de eu ter me assumido lésbica. Eles se afastaram”, relembrou.

“Quero que meu filho não seja mais um nessa estatística, quero que ele possa estudar e ser respeitado. É muito triste saber que nossas crianças trans não têm direito a estudar sem sofrer bullying, agressão física e psicológica. Só quero que as pessoas respeitem. Desejamos que eles possam existir, que as pessoas busquem entender e se informar. Por causa da falta de informação sobre nossas crianças, nós, mães, somos acusadas. Só queremos que nossos filhos possam viver, sonhar e ser felizes”, finalizou.

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