Informações de G1 / Conexão Planeta

Mais de mil búfalos foram encontrados em situação de maus-tratos numa grande propriedade rural de Brotas, no interior de São Paulo. Os animais estavam sem água, comida, em valas e áreas de brejo. Segundo a polícia ambiental, aparentemente, a manada foi deixada para morrer com o objetivo de que futuramente a área se torne uma plantação de soja.

O fazendeiro responsável pelos bovinos chegou a ser multado em mais de R$ 2 milhões e preso, mas após pagar fiança de R$ 10 mil, foi solto. Ele é um psicanalista e atua na capital paulista. Os agentes policiais investigam para entender por que os animais foram abandonados, e não vendidos, já que são valiosos.

“Ontem, no fim da tarde, ele começou a passar trator no local para estragar pasto que ainda era bom. Então vimos que a intenção dele, ainda não sei por qual motivo, era de matar esses búfalos. Diante desse dolo direto, decidimos autuá-lo por maus-tratos animais em concurso material, ou seja, cada búfalo que está sendo maltratado lá é um crime”, afirmou o delegado.

Mesmo desnutridas, fêmeas cuidam de seus filhotes / Foto: Reprodução Facebook ONG ARA

Na verdade, eram fêmeas e a maioria estava grávida.

De acordo com informações colhidas pelos voluntários e pela polícia, as búfalas foram inseminadas artificialmente, mas o proprietário decidiu parar de produzir mussarela de búfala e arrendar suas terras para a produção de soja e milho. A partir daí, abandonou-as sem água, sem alimento e sem cuidados, para morrerem.

Não se sabe precisar há quanto tempo elas estão nessa situação, mas os ativistas descobriram que, em algumas áreas, elas comeram as cascas das árvores para sobreviver.

O advogado de defesa do dono da fazenda afirmou que ele nega os maus-tratos dos animais, que a Justiça determinou que a família tome providências para o bem-estar dos animais, com prazo de 15 dias para apresentar os cuidados adotados com os búfalos.

Após a autorização da Justiça, voluntários e representantes de entidades, empresas e da prefeitura se uniram para dar água e alimento aos animais.

No total, 667 cabeças, sendo 335 vacas e 332 bezerros, todos do gênero bubalus (búfalo-asiático), foram encontrados em situação de abandono na propriedade. Havia 22 carcaças enterradas.

Muitos animais estão com desnutrição ou doentes e receberam cuidados de veterinários e zootecnistas. Alguns búfalos estavam atolados e precisaram ser içados da lama com a ajuda de uma retroescavadeira.

“Um dos maiores massacres de animais do país!”

Agora, enquanto os voluntários em campo atuam para minimizar a dor dos animais vivos e de suas crias – que, em breve, devem nascer – e ajudar a recuperá-los para evitar novas mortes, um grupo de advogados se organiza para dar andamento ao processo judicial que certamente resultará na prisão de Luiz Augusto Pinheiro de Souza.

“O inquérito da Secretaria de Segurança Pública aponta o caso como um dos maiores massacres de animais do país“, destaca, em seu Instagram, Reynaldo Velloso, advogado, biólogo e ambientalista, presidente das Comissões de Proteção e Defesa dos Animais da OAB/RJ. Ele integra a equipe de advogados de defesa dos animais juntamente com Fernanda Tochman, “uma das mais maiores advogadas criminalistas do Brasil”.

Vale ouvir a conversa entre Velloso e Patrícia (guardiã do Santuário Vale da Rainha e uma das líderes da mobilização em Brotas) realizada ontem, no Instagram, na qual falaram sobre os próximos passos e destacaram a importância de lidar com esta situação tão delicada e cruel, com muito amor.

“Agora, devemos pensar em salvar essas fêmeas e os filhotes que vêm aí. Então, se a gente tiver muito rancor, pode ficar difícil. Em contrapartida, se a gente chega lá com amor no coração, eu acho que essa é a maior força do mundo. Já passei por situações que julgávamos intransponíveis, que parecia não ter solução, como esta parece – mil e tantos animais! como vai alimentar, a logística…. Por isso é importante trabalharmos em dois grupos: um que vai buscar a justiça e o outro que vai salvar os animais. Depois que forem salvas todas as búfalas, a gente se junta!”.

A priori, o fazendeiro não abre mão dos animais – quer vê-los morrer? E, se mantiver essa postura, vai ser necessária uma autorização judicial para retirá-los da fazenda. Mas é preciso ter para onde enviá-los, até lá, como destacou Velloso.

Patrícia contou a ele que já estão sendo contatados fazendas e santuários na região que possam receber grupos de fêmeas (100 num lugar, mais 100 em outro…) em seus espaços, que se comprometam a cuidar delas. E alguns já sinalizaram positivamente. Então, a julgar por esse movimento, as búfalas de Brotas terão pra onde ir, assim que tudo for resolvido na Justiça.

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