Por Lau de Siqueira

Pobre Rio de Janeiro. Muita proteção ao seu povo. Muita, mesmo. Amigos e amigas, protejam-se. A intervenção alardeada é do tipo: “Bandidos, por favor, saiam do morro que nós estamos chegando.” Portanto, não há intervenção. Há um acordo. Um clichê midiático. Coisa pra inglês ver e não acreditar.

Tempos atrás aconteceu algo semelhante e Fernandinho Beira-mar veio morar na Paraíba. Até filho fez por aqui. Fez aliados na Polícia e adquiriu um patrimônio invejável. Não tenho dúvidas que as falanges que comandam os morros cariocas irão transferir seus lucrativos negócios para outros territórios e tudo continuará como antes no quartel de Abrantes.

A bandidagem mais perigosa não mora nos morros, mas nos condomínios de luxo e nas coberturas suntuosas. Representam o Brasil no Congresso Nacional. Os que pedem intervenção militar para combater o tráfico esquecem que na ditadura um tal de Sergio Fleury, delegado do DOPS, assassino frio, era associado ao tráfico e até iates possuía.

O Brasil vai viver mais um capítulo da tragicomédia instalada com a criação das Capitanias Hereditárias e que hoje se sustenta num pós-impeachment golpista. Somos o país do “me engana que eu gosto”. Cada vez mais sufocante a cortina de fumaça que Michel, o vampiro, cria para alugar o Brasil. Mas, esse é só um detalhe. Nosso desastre é bem anterior.

As multidões silenciosas, de uma forma ou de outra, deverão responder nas urnas. Mas, a resposta continuará sendo o silêncio. Estamos sem voz. A República Federativa dos Patos Amarelos caminha para o abismo com os passos medidos em pesquisas de opinião.

Enquanto isso, escondem um helicóptero carregado de cocaína e seus donos, reduzem penas e fazem acordos indecentes com delatores da Lava-Jato. Em contrapartida jogam numa cela um bebê de três dias, cuja jovem mãe traficava para sobreviver. Oh pátria amada, idolatrada salvem-se salvem-se…

Nossa solidariedade ao povo pobre e trabalhador dos morros cariocas. Serão as vítimas prioritárias da canalhice federativa do Brasil. Firmeza, irmão, firmeza… mesmo em lágrimas.

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