Quem vem das pobreza sabe o quanto é mais difícil. A vida de Richarlison de Andrade foi de lutas, sofrimento, superação e, graças a Deus e ao próprio esforço, de vitórias.

Ele viveu o que chamamos de “a jornada do herói”, descrita por Joseph Campbell. O começo, como de tantos outros, foi humilde, em uma comunidade, em Nova Venécia, do Espírito Santo. Hoje, aos 24 anos e considerado um dos principais jogadores da Europa, Richarlison tem também um papel fundamental também fora dos gramados. Ele usa a sua voz para auxiliar aqueles que, diante da sociedade atual, não têm voz.

Em entrevista concedida à Gazeta Esportiva, ele demonstrou ter consciência da força do que diz: “Acho que a nossa voz é muito forte, podemos chegar até as pessoas e até quem está no poder.”

E foram inúmeras as situações em que o craque levantou a sua voz. Ele não se calou, por exemplo, diante do apagão no Amapá, de casos de violência contra mulher, a morte de George Floyd, covid-19, queimadas no Pantanal e racismo, por exemplo. As dificuldades vivenciadas na sua infância e adolescência treinaram o seu olhar para bem perceber e valorar questões sociais.

Ele contou um pouco sobre a sua infância:

“A minha realidade e da minha comunidade eram muito difíceis e isso faz a gente abrir os olhos para muita coisa que quem está de fora não entende”, diz o craque. “Não acho que sou o jogador mais politizado. Sou só um cara preocupado com a realidade do povo do meu país e que tenta fazer alguma coisa para chamar atenção de causas importantes”.

Uma das vivências narradas pelo jogador muito o marcou. Ele contou que, certa vez, quando já estava na base do América, foi pescar no lago da roça onde seu pai morava. Lá, havia três represas e o dono do local disse que em uma delas eles não poderiam pescar.

No que podiam, não pegaram nada.

“Quando a gente estava indo embora, resolvi parar no que era proibido e acabei pegando um peixe. O cara viu e humilhou meu pai na nossa frente. Prometi, ali mesmo, que ia tirar meu pai daquela situação”, relembra Richarlison.

O jogador mencionou ainda os olhares de discriminação e preconceito que foram direcionados a ele ainda na infância. Conta, segundo a reportagem, até mesmo que fora chamado de bandido por diversas vezes sem nenhum motivo aparente, o que ele acredita ser em virtude de sua origem humilde de morador da favela.

Certamente foi a consciência de que a realidade que ele vivenciou é também o que vive milhares de outras crianças que o jogador têm ajudado tantas pessoas em situação de vulnerabilidade social. Ele ganhou o prêmio Community Champion, da Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra (PFA), pelos trabalhos beneficentes que faz. “Muitas crianças se espelham na gente, usam o que a gente faz e fala como exemplo. Então, temos que ser bons exemplos, falar de coisas importantes”, disse o jogador.

Sua alegria é poder ter auxiliado os seus familiares dando casa e maior comodidade e qualidade de vida a eles. Contudo, seu maior sonho ele está vivenciando agora: é jogar e ganhar uma Copa do Mundo pelo Brasil. “Durmo e acordo pensando nisso todos os dias”, afirmou o jogador.

Leia também: Jogadores da Alemanha entram para a história do esporte ao protestarem contra “mordaça” no Catar
Repórter argentina assaltada no Catar e polícia pede que ela escolha a pena do ladrão
Richarlison foi o grande destaque da seleção brasileira na estreia da Copa do Mundo do Catar. Não bastasse fazer os dois gols, o segundo entrará, por sua plasticidade, para a história das Copas. Festejado pelos jornais de todo o mundo, ganhou até mesmo uma belíssima pintura que fez justiça à cena representada.

Tela de Francisco Demeilson Ferreira Morrerira, pintor cearense.

Abaixo, trouxemos um vídeo muito interessante, onde o gol é registrado de diferentes ângulos por torcedores presentes no estádio:

Que venham outros gols e muitas falas desse cidadão consciente e jogador genial!

Gostou de saber um pouco mais da vida de Richarlison? Compartilha essa matéria com os seus amigos e divulgue em suas redes sociais.

RECOMENDAMOS







Um espaço destinado a registrar e difundir o pensar dos nossos dias.