Sabe quando uma série parece estar te entregando um “mistério de sociedade secreta” bem direto — gente rica, regras estranhas, festas, segredos — mas, aos poucos, você percebe que a história está te puxando para outro lugar?
Ares faz exatamente isso: ela joga iscas o tempo todo, enquanto guarda o ponto principal a sete chaves. E quando resolve abrir o jogo, lá no fim, a sensação é de ter assistido a outra série sem perceber.
Lançada pela Netflix em 17 de janeiro de 2020, Ares tem 8 episódios e é curta o suficiente pra virar maratona de uma noite (os capítulos são rápidos).

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Foi vendida como a primeira série original holandesa da Netflix, criada por Pieter Kuijpers, Iris Otten e Sander van Meurs, com direção de Giancarlo Sanchez e Michiel ten Horn.
A protagonista é Rosa (Jade Olieberg), caloura de medicina em Amsterdã, com fome de subir degraus — e não dá pra culpar: a porta que se abre pra ela é o tipo de oportunidade que “arruma” carreira, contatos e status.
O convite vem pela sociedade estudantil Ares, um clube exclusivo que opera como se fosse intocável: tradição, hierarquia, gente importante no entorno… e uma sensação constante de que todo mundo sabe mais do que ela.
O truque esperto do roteiro é como ele monta a distração. Você entra achando que vai acompanhar um suspense universitário com intriga social, e isso realmente está lá — só que, enquanto você presta atenção nas humilhações, nos códigos e nos jogos de influência, a série vai deixando sinais sobre a origem do poder daquela turma.
E a pista mais forte é histórica: a narrativa puxa fios da Era de Ouro holandesa e do dinheiro construído em cima de violência e exploração, com a ambição dos personagens funcionando quase como “moeda de troca”.
Na parte técnica, Ares é econômica e direta. A fotografia aposta em sombras e silêncios, e a direção evita excesso de explicação — o desconforto vem mais do clima do que de susto fácil.

Isso combina com a proposta: a série quer que você sinta a pressão de estar num lugar onde ninguém fala tudo, e onde “pertencer” tem preço. (Vale o aviso: na Netflix, a produção aparece com classificação 16+.)
Agora, o que faz muita gente lembrar de Ares é a forma como ela fecha a temporada: sem entregar aqui detalhes, dá pra dizer que o final é daqueles que reorganizam as peças e fazem você repensar o que estava sendo “plano A” e o que era só cortina de fumaça.
Quando a série decide mostrar o que realmente estava em jogo, ela para de flertar com a dúvida e vai direto no ponto — e é aí que a experiência vira assunto.
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